O ASSUNTO É....
Na última coluna vimos que a operação pedagiada das rodovias principais do Estado trouxe pelo menos uma boa notícia: 400 vidas por ano estão sendo salvas. Outra boa notícia é que as novas tecnologias de fiscalização poderiam salvar mais 400 vidas. A má notícia é que é provável que este programa não seja implantado tão cedo.
A implantação do pedágio no Paraná foi um desastre de relações públicas. Todas as discussões se concentraram em torno de dinheiro sem considerar o óbvio: se algo era de graça e passou a ter um preço, este preço será considerado abusivo.
Um exército de lobbistas passou anos discutindo o modelo de incluir os custos de duplicação na planilha; a transparência do processo; o número de praças de pedágio e, claro, a tarifa. Ninguém falou da segurança dos usuários.
Em 1997 os ventos eram favoráveis para melhorar a segurança: havia o novo Código Brasileiro de Trânsito, a municipalização do trânsito, o início da fiscalização eletrônica e o pedágio. Sabíamos que o número de mortos no trânsito paranaense iria baixar. Bastava o governo anunciar um Programa Estadual de Segurança de Trânsito com uma meta de salvar 2000 vidas até o ano 2000 (como fez a cidade de Nova York), incluindo o pedágio como um dos principais elementos para alcançar esta meta.
Infelizmente este bonde passou, o governo perdeu a oportunidade de criar uma motivação para salvar mais vidas e apenas se deu uma sequência de tiros no pé.
É notório que a atual administração tem uma tendência de ignorar as coisas que não gosta e, depois dos eventos dos últimos anos, seria razoável supor que as rodovias pedagiadas estejam nesta categoria. No entanto, nas eleições do ano que vem, o pedágio voltará à cena. Propostas populistas de acabar com o pedágio certamente serão bradadas, junto com outras acenando com vagas promessas de baixar as tarifas.
A operação privada das rodovias trouxe melhorias expressivas à segurança e acabar com estes serviços oferecidos representaria uma sentença de morte para centenas de pessoas. A estratégia da administração de ignorar os benefícios que a moderna e profissional operação rodoviária trouxe à questão da segurança pública talvez a única boa notícia nesta área e certamente a única boa noticia do pedágio representaria um tiro no outro pé.
Com a informação adequada, é possível preparar um Programa de Segurança Rodoviário, divulgando os bons resultados já alcançados e estabelecendo meios e metas claros para os próximos anos.
Apresentando o pedágio como uma medida de segurança pública e não apenas uma questão de grana abre-se a possibilidade de incluir outros aspectos da segurança. Existem maneiras de fiscalizar eventuais abusos usando a tecnologia moderna? Há tecnologia e financiamento para permitir que as empresas concessionárias evitam a circulação de veículos roubados?
Abre-se, também, a oportunidade de pesquisar a percepção dos usuários em relação à segurança. Depois de 3 anos de operação, nem as concessionárias nem o governo conhecem o que pensam seus consumidores e eleitores sobre o principal benefício do serviço.
Porém, qualquer programa teria que encarar, também, os problemas institucionais. Mesmo reconhecendo que o abuso de velocidade é a causa principal dos acidentes, as operadoras das rodovias não podem atuar na fiscalização de trânsito e tampouco querem, porque não há modelo financeiro prevendo o financiamento e retorno dos custos, embora uma redução de acidentes e mortes significasse custos operacionais mais baixos (além de ótimas notícias) para as empresas.
Há, também, o risco de se inventarem uma Fiscalpar, com grande interesse político nas receitas geradas: as forças mais grossas da picaretagem sempre atuam nas áreas mais esquecidas e abandonadas.
Um programa aberto e voltado à vida, juntando os interesses do setor privado, dos usuários e do governo é a melhor maneira de minimizar os perigos nas estradas inclusive os perigos da demagogia e da picaretagem.
Cumprimento
Queremos parabenizar a colunista Adriane Picchetto pelo excelente artigo publicado na Folha do Paraná, em 08.04.2001, sob o título Auto-escolas x Centro de formação de condutores. A importância do conteúdo e a clareza na abordagem só vem a contribuir com
o empenho com que temos buscado a valorização da categoria e a melhoria da consciência geral para com a questão do Trânsito.
Sindicato dos Proprietários de CFCs do PR
Justino Rodrigues da Fonseca
Presidente





