Que o airbag economiza vidas todos nós já sabemos, mas creio que as pessoas devem entender como eles funcionam, principalmente os pais. Os airbags não explodem para fora do painel como suaves travesseiros inflados como nós vemos em câmara lenta nos filmes. Ao contrário, eles saltam a uma taxa de até 322 km por hora, mais rápido que a piscadela de um olho e por isso podem ser fatais.
Este equipamento é uma bolsa inflável que protege o motorista e os passageiros de um veículo. Durante um impacto, sensores em questão de milésimos de segundos inflam estas bolsas. A do motorista geralmente está localizada no centro do volante, e a do passageiro frontal, ela está localizada no painel à frente, onde comumente está o porta-luvas.
A sofisticação do ‘‘airbag’’ já chegou em determinadas marcas também nas posições laterais. Constatou-se através de pesquisas que um grande número de acidentes ocorrem com colisões laterais, ou meio-laterais. Para este tipo de colisão também foram desenvolvidas barras laterais dissipadoras de energia, o que absorve o impacto da colisão, protegendo os ocupantes do veículo.
São creditadas ao airbag quase cinco mil vidas salvas nos anos últimos anos nos Estados Unidos. Mas nos relatórios da Administração Nacional de Estradas e Segurança no Trânsito (NHTSA) daquele país apareceram mortes de várias crianças por causa do equipamento. Comissões de pais foram criadas e saíram em campanha contra o equipamento. O que estes pais não informaram é que a maioria dos casos onde uma criança morreu por força do inflar da bolsa de ar, foi porque ela estava no assento dianteiro do veículo sem nenhuma proteção, ou com o cinto de segurança fora de posição, por cima do ombro.
O risco do airbag para crianças pode ser totalmente eliminado se elas estiverem corretamente acomodadas no assento traseiro do carro.
Combinados com o cinto, eles podem salvar cerca de 80 por cento das pessoas em acidentes de trânsito. Eles salvaram mais de mil vidas entre 1987 e 1995 nos Estados Unidos. Nos últimos anos desta década estes números evoluíram bastante. Em que pese isto, as campanhas de pais contra o equipamento também cresceram. Por isso é importante aos pais saber como podem salvar seus filhos.
Um caso peculiar é o que ocorre com proprietários de caminhonetes (que possuem um único assento e dianteiro) que estão protegidos contra a multa por transitar com seus filhos, por uma absurda resolução do CONTRAN que liberou este modelo de veículo do artigo do Código que proíbe menores de dez anos no banco da frente. Certamente o funcionário público que redigiu a resolução não se guiou pelo princípio da segurança no trânsito, mas pelo clamor de eleitores ignorantes dos riscos a que expõem seus filhos.
Desde julho de 1996, aproximadamente 70 milhões de veículos foram equipados com os airbags nos Estados Unidos. Nos últimos 6 anos, mais de 50 por cento da frota Norte-americana, ou seja, aproximadamente 125 milhões de veículos receberam o airbag.
No Brasil, onde as autoridades desconhecem inclusive o volume da nossa frota (dizem que estão ao redor dos 30 milhões de veículos), muito poucos veículos possuem o equipamento. Mesmo do grupo de veículos novos, apenas um percentual muito pequeno sai das fábricas como item de série. Na sua maioria, são os carros de luxo ou importados que são equipados.
Infelizmente não houve sensibilidade para a equipe que assessorou o Presidente da República quando da sanção no atual Código de Trânsito Brasileiro, em 1997, quando instruíram o Presidente da República a vetar o artigo aprovado pelo Congresso nacional que tornava obrigatório a bolsa de ar no Brasil. Segundo consta, atendendo às solicitações da indústrias automobilísticas.
Não se vê, escute ou lê mais nada sobre o equipamento no Brasil desde que ele foi vetado. As montadoras quando instadas eventualmente a falar a respeito alegam que o equipamento como item de série em todos os modelos demandaria investimentos muito grandes e que evidentemente acabariam sendo repassados ao consumidor, aumentando mais ainda os preços dos veículos.
As entidades, os programas, os departamentos de trânsito tampouco falam, tampouco orientam, tampouco clamam pelo equipamento que decididamente salva vidas. Está na hora de voltar ao assunto e cobrar sua existência no Brasil e revogar resoluções como as que permitem crianças nos bancos dianteiros.
Ulisses Iarochinski é jornalista especialista em trânsito formado pelo VTI- Instituto Nacional Sueco de Estradas e Segurança no Trânsito [email protected] .

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