O ASSUNTO É ... - A segurança de nossas crianças
Há forte concentração de vítimas ao longo da travessia urbana da BR 116
Uma monografia elaborada pelos estudantes de engenharia do 4O. ano da PUC/PR revela dados importantes sobre a segurança das nossas crianças em Curitiba. Examinando as fontes de informação disponíveis, os alunos optaram para usar o banco de dados unificado do Serviço Integrado de Atendimento de Emergência (SIATE) e a Gerência de Segurança Pública do IPPUC. Neste Cadastro se encontram todos os registros de atendimento do SIATE e, já que a população aprendeu a chamar o SIATE quando há um acidente com trauma, é um banco bastante confiável em relação aos danos humanos decorrentes.
O estudo avaliou especificamente os problemas relacionados aos traumas provocados por colisões e atropelamentos nas faixas etárias de 0 a 14 anos, 12% do total de vítimas. As colisões respondem por 59% do total e as crianças ocupantes de veículos e vitimadas em colisões, por faixa etária, foram:
O problema de colisões está relacionado com a falta de transporte adequado de crianças dentro de carros. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) de 1998 proíbe o transporte de crianças nos bancos da frente (até uma idade, tamanho e peso compatível com o uso do cinto de segurança).
Os alunos calculam que o transporte de crianças, com equipamento correto, evitaria, por ano, aproximadamente 420 vítimas, entre 0 a 14 anos.
Uma avaliação das colisões mostrou que as vítimas em cruzamentos com mais de duas colisões representam quase metade do total de 2000 - cerca de 2500 vítimas. A proliferação de colisões em todas os setores da cidade é uma consequência do uso maior do carro particular numa estrutura urbana formada, em quase sua totalidade, por ruas e quadras de uso misto, exigindo um cruzamento de tráfego a cada cento e poucos metros.
Há, no entanto, uma forte concentração de vítimas ao longo da travessia urbana da BR 116, seguido pelos trechos das ouras rodovias que cortam a cidade. Somente na BR 116, o trânsito foi responsável para 159 vítimas. Deve-se lembrar que as vítimas das rodovias concessionadas são socorridas por serviços contratados e não pelo sistema SIATE.
Há também grande concentração de colisões, nos cruzamentos sinalizados com semáforos. Em 2000 aconteceram 859 colisões em cruzamentos dotados com semáforos, deixando um total de 1245 vítimas; nos mesmos lugares aconteceram, também, mais que 350 atropelamentos.
O sinal vermelho é percebido por muitos motoristas no Brasil como ''guia de preferência'', os quais não consideram e o desrespeito como infração ''grave''. Na prática, porém, este comportamento pode induzir outros usuários a pensar que o sinal já está verde, o que acaba provocando um número exagerado de acidentes.
Experiências nacionais e internacionais com a fiscalização eletrônica do sinal vermelho mostram que a adoção, em rodízio, destes equipamentos em cerca de 200 locais implicaria numa provável redução de 30-40% de danos humanos, entre vítimas de colisões e atropelamentos. Testes em alguns poucos cruzamentos em Curitiba mostraram que os motoristas nativos respeitam mais estes sinais e batem menos.
A simples instalação de alguns equipamentos de fiscalização eletrônica em cerca de 200 cruzamentos de risco comprovado permite estimar uma redução anual de vítimas em colisões e atropelamentos uma redução de 600 pessoas.
As infrações de madrugada potencialmente mais perigosos devido ao abuso generalizado de álcool mereceram uma atenção à parte. Os jovens andam pela noite e sabem que há dois tipos de risco em Curitiba: a ameaça de assaltantes e os motoristas bêbados. Eles acreditam que a fiscalização eletrônica não seria um estimulo aos assaltos já que a presença de figura humana anula o registro, portanto, infrações cometidas cerca de elementos suspeitosos seriam automaticamente anuladas. Em relação aos bêbados, há uma diferença brutal entre o motorista que ultrapassa o sinal a baixa velocidade após verificar os movimentos conflitantes e o sujeito que atravessa o cruzamento a 90 kph. O registro da velocidade no momento da infração seria, portanto, uma informação fundamental para diferenciar entre a gravidade de eventuais infrações. Dados de Salvador indicam que os bêbados se comportam de maneira mais segura se há fiscalização permanente.
Levantamentos dos estudantes em alguns cruzamentos também indicaram que alguns motoristas de dia e de noite têm o hábito de acelerar para ''aproveitar'' o sinal amarelo e evitar a parada do veículo. Se houvesse uma parada forçada, com um destes veículos com o carro da gente, a gravidade seria pior.
Os alunos acreditam que a população prefere disciplinar os ''aproveitadores'' a figurar na lista das 12000 vítimas previstas para 2001.
Alan Cannell
Especialista em trânsito
[email protected]
Faixa Etária Total Vítimas Colisões Atropelamentos
0-4 291 200 78
5-9 596 286 259
10-14 720 387 237





