O ar nem sempre é grátis
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de setembro de 2006
Devaldo Gilini Júnior<br> Editor 
Em entrevista ao caderno Folha Carro & Cia, o engenheiro José Carlos Quadrelli, gerente geral de Engenharia de Vendas da Bridgestone Firestone, pode-se notar que o contínuo acompanhamento da pressão dos pneus, além de reduzir riscos de acidente, pode impactar fortemente no consumo de combustível e no desgaste prematuro dos pneus, reduzindo em muito a rentabilidade por quilômetro percorrido. Confira os detalhes principais:
Carrro & Cia - Por que sempre se insiste na manutenção da pressão correta dos pneus?
José Carlos Quadrelli - A palavra ''pneumático'' vem do grego ''pneuma'', que significa ''ar''. E há uma boa razão para isto. O que suporta um veículo é justamente o ar e não os pneus, que são ''simplesmente'' os recipientes que seguram o ar, que por sua vez sustentam todo o peso.
C&C - Mas por que este exagero todo em relação à pressão correta dos pneus?
Quadrelli - A correta pressão dos pneus pode minimizar muitos tipos de desgastes irregulares, ampliando a quilometragem do pneu e reduzindo os custos de manutenção. Ou seja, o pneu dura muito mais quando sua pressão correta é preservada.
C&C - Quanto pode durar mais?
Quadrelli - Alguns estudos apontam que para cada 10 libras (psi) a menos, a vida original do pneu será reduzida entre 9 e 16 por cento. Se tomarmos, para efeito de cálculo, o preço médio de um pneu radial para carga em torno de R$1 mil, cuja pressão indicada para os pneus fica em torno de 100 libras, 10 libras a menos significarão um custo adicional ao redor de R$100 por pneu. Além disso ao longo da vida do caminhão haverá mais trocas de pneus, o que resultará em maiores despesas com pessoal e/ou serviços e maiores tempos de parada. O maior problema é que muitas pessoas, inclusive técnicos de manutenção de veículos, consideram uma diferença de 10 libras absolutamente aceitável.
C&C - E se a pressão for inferior em mais de 10 libras?
Quadrelli - 20 libras a menos de pressão pode gerar gastos desnecessários equivalentes a R$200 por pneu (considerando o exemplo acima), mas também pode resultar em problemas mais sérios em relação à preservação da estrutura do pneu. A recomendação de especialistas do setor é que os pneus que tenham rodado com 20 libras a menos sejam retirados do caminhão, desmontados e cuidadosamente inspecionados, de forma a se evitar sérios problemas com a segurança.
C&C - Esses são os únicos problemas resultantes de baixa pressão nos pneus?
Quadrelli - Na verdade, eles estão apenas começando. Um pneu passa por uma revolução completa, flexionando suas laterais, cerca de 500 vezes por minuto. Tecnicamente, esse flexionamento é chamado ''deflexão''. Com pressão mais baixa, haverá maior deflexão do pneu, que consumirá maior energia na locomoção e, consequentemente, mais combustível.
C&C - Quanto mais combustível é consumido nesse caso?
Quadrelli - As 10 libras abaixo do especificado levarão a um aumento de 0,5% do consumo por quilometro rodado. Ou seja, a cada 100 mil quilômetros rodados serão desperdiçados cerca de 300 litros de óleo diesel. É muito dinheiro jogado na estrada, não?
C&C - Há outros problemas resultantes da pressão baixa nos pneus?
Quadrelli - Há uma série deles. Quando a deflexão é excessiva, pode comprometer seriamente os cabos de aço utilizados na construção de um pneu radial, pois provocará calor excessivo, que é o maior inimigo da carcaça de um pneu. Da mesma forma que o tempo envelhece as pessoas, o calor envelhece um pneu. Nesses casos, a chamada ''recapabilidade'' de um pneu, ou seja, o número de vezes em que a carcaça pode receber uma nova banda de rodagem, poderá ser reduzida.
C&C - Quanto isto significa em custo adicional?
Quadrelli - Se um pneu radial, em condições normais de uso, puder ser recapado 4 vezes, ele perderá uma recapagem, o que implicará em um custo médio adicional de R$ 200 por pneu.
C&C - Mas, de qualquer forma, é sempre muito trabalhoso checar a pressão de ar, principalmente em veículos com muitos eixos, não?
Quadrelli - Certamente. Mas, segundo as estatísticas, esta operação dura cerca de 20 minutos em um caminhão com 18 rodas. Se isto for feito toda semana, há poucas chances de se ter problemas provenientes de baixa pressão dos pneus. Isto se traduzirá em maior tempo do veículo em operação, a redução do consumo de combustível, e maior ''recapabilidade''. Tudo isto pode colocar mais dinheiro no bolso do proprietário do veículo.


