Número de acidentes cai, mas trânsito continua inseguro
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sábado, 01 de maio de 2010
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local 
Os acidentes de trânsito continuam sendo questão de saúde pública. Balanço realizado pelo Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) mostra que no último ano houve uma redução de cerca de 17% no número de acidentes de trânsito com relação a 2008, mas o número de vítimas fatais continua alto. Em 2009, 1.330 pessoas morreram em acidentes nas áreas urbana e rural e 48 mil foram feridas, em cerca de 37 mil acidentes registrados (veja quadro).
Parte dos esforços pela inovação tecnológica tem sido direcionada a sanar a violência no trânsito em todo o mundo, não só com aparatos externos a exemplo das lombadas eletrônicas ou semáforos, mas também com aparatos associados aos próprios veículos.
José Mário de Andrade, diretor de Negócios Internacionais da Perkons (empresa especializada em tecnologia para segurança e gestão integrada de tráfego), que viajou a Amsterdam (Holanda) recentemente para participar do evento internacional de tecnologia de trânsito, relatou ter conferido tecnologia que possibilita os carros se comunicarem através de sensores e comunicação via rádio, regulando o trânsito de acordo com as circunstâncias.
Em meio a discussão de especialistas, entretanto, uma das opiniões que prevalecem é que o problema reside no comportamento dos condutores. Luís Miura é psicólogo, especialista em trânsito e responsável por implantar em Brasília (DF) e em Maringá (Região Noroeste) uma campanha de sucesso pelo respeito ao pedestre na faixa de segurança e outros pontos, como a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança.
Ele conta ter percorrido vários lugares do País para verificar se a cultura faz diferença no modo como o motorista lida com o trânsito. ''Cheguei à conclusão de que tanto faz, o motorista tem falta de educação em qualquer lugar do país'', diz, bem-humorado. A falta de educação dos condutores, segundo ele, é um dos principais problemas do trânsito brasileiro.
A obrigatoriedade do uso do cinto de segurança foi implementada em Brasília em 1997. ''O código de trânsito já exigia isso desde 1968, só que era uma regra ignorada, assim como muitas outras. Não faltam regras. O que falta é a sociedade entender e o poder público impor isso de maneira firme'', critica o especialista.
Para Miura, o motorista brasileiro é egoísta e voltado a si mesmo. ''Existe uma regra no Código que é: 'os maiores protegem os menores'. Se é assim, não devíamos ter tantos atropelamentos de pedestres.'' Conforme sua percepção, hoje, a parcela da população com que mais sofre com a insegurança do trânsito é a mais desprotegida: as crianças e os idosos. ''A regra natural está invertida'', salienta.
De acordo com o psicólogo, as infrações ocorrem porque o sistema de fiscalização brasileiro no trânsito é deficiente. ''Existem cerca de 10 mil infrações para cada multa aplicada'', estima.
''O grande problema do motorista cometer infrações é ele assumir que não será pego pelo guarda'', completa José Mário de Andrade, da Perkons. Para isso, precisa cometer infrações como avançar o sinal ou estacionar em local não permitido, por exemplo. ''E consegue gerar situações de risco que aumentam o número de acidentes''. E os pedestres não estão isentos, diz ainda. ''Ele anda distraído na rua, atravessa fora da faixa. É um absurdo fazer barreiras nas rodovias para que o pedestre não atravesse em local proibido.''
Andrade também aponta para a questão do apelo das indústrias automobilísticas que, ao colocar seus produtos no mercado, enumera suas qualidades como ''seguros, potentes e confortáveis''. ''Só que ele é seguro se for conduzido de forma segura. E também se o motorista senta em um carro, vê a possibilidade de velocidade que pode obter sendo que ele pagou por isso, não vai se sentir tentando a considerar?''


