Não há como negar. Desde que chegou às ruas, o novo Vectra impressionou a todos pela sua beleza. Elegante, moderno e com linhas bem acertadas, o carro desbancou o até então líder do segmento, o Toyota Corolla, com muita competência.
Passado o 'fervor' da novidade, o Vectra caiu nas mãos de muitos motoristas e já recebeu pontos positivos e negativos durante o uso no dia-a-dia. A Folha avaliou uma unidade do Vectra, na versão Elite, top de linha, equipado com motor 2.4 Flexpower de 150 cv.
O primeiro contato positivo com o carro é visual. Seja por fora ou por dentro, o Vectra é bem acabado e traz modernidade com toques de elegância. Internamente, o volante, com acabamento aluminizado e controles de som embutidos, contrasta com os filetes de plástico imitando madeira, que percorrem todo o painel e se prolongam até as laterais das portas.
O console, limpo, tem como destaque o elegante CD Player (que incluiu um defasado toca-fitas!) e o display do computador de bordo. Na frente do motorista, os instrumentos são bem visíveis e charmosos, principalmente quando a partida é dada: os ponteiros sobem e descem, como acontece no esportivo Corvette, confirmando o 'OK' geral do sistema eletrônico do carro.
Os pontos negativos ficam por conta da falta de porta-objetos (não há espaço para celulares e carteira), pela organização dos comandos dos vidros elétricos (estão todos juntos na porta do motorista e proporcionam certa confusão durante o acionamento) e pelo formato dos bancos (não 'seguram' os ocupantes durante as curvas).
A posição de dirigir é boa e o volante tem regulagens em altura e profundidade. Os outros comandos estão bem localizados, mas as alavancas de seta e do limpador de pára-brisa são pequenas demais e dificultam o acionamento.
Na rua, andando na cidade, apesar dos 150 cv de potência o Vectra é acanhado. Graças ao câmbio automático, tem saídas lentas, porém, ao toque mais forte no acelarador aciona-se o 'kick-down' e o motor passa a responder com mais eficiência. A suspensão rígida e as rodas de aro 17 com pneus de perfil baixo passam um certo desconforto - o motorista sente 'socos', principalmente ao passar por buracos e lombadas.
Fora isso, os ocupantes são bem acomodados. Não há barulho exagerado, o acabamento é de primeira, o ar-condicionado refresca com eficiência, o som é de qualidade e o espaço é um dos melhores do segmento - só perde para o Honda Civic, que traz assoalho plano.
Mas é na estrada que o Vectra mostra o seu real conforto. O motor ganha força e leva o carro rapidamente acima dos 110 km/h em poucos segundos. A suspensão, que na cidade é meio dura, ganha pontos agora por manter o carro estável e grudado na pista, principalmente nas curvas. A direção hidráulica, um pouco mais pesada que a do Corolla, se revela firme e bastante precisa.
O maior problema do Vectra está na voracidade do motor 2.4 em beber combustível. Andando na cidade, durante a avaliação, com ar-condicionado ligado, o carro chegou a fazer no máximo 4,6 km/l com somente gasolina no tanque. Com álcool, a média foi pior: 3,3 km/l. Os números são muito ruins e combinariam mais com motores de seis ou oito cilindros, típicos em carrões importados.
Para não dizer que o Vectra é um 'beberrão' contumaz, na estrada as médias foram um pouco melhores. Com 100% gasolina, o carro chegou a rodar 12 km/l. Com álcool, o consumo foi de 9 km/l.
O novo sedã da GM tem o maior porta-malas entre os nacionais, 526 litros. Apesar do tamanho, a 'boca' do compartimento é limitada e dificulta a colocação de objetos mais volumosos.
Alguns opcionais contribuem ainda mais para o conforto, como ajuste elétrico do banco do motorista, o sensor de chuva e o teto solar.
O Vectra é oferecido a partir de R$ 63 mil, na versão Elegance, e R$ 84 mil, na Elite. No veredito final, o Vectra é uma boa opção de compra, principalmente para aqueles que não ligam em gastar um pouco mais com combustível no final do mês em troca de status e muito conforto.

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