As montadoras e a rede de concessionárias terminaram setembro com estoque de 199.564 veículos, um recorde na história da indústria, e as fábricas já admitem que a produção este ano pode ser até 20% inferior a 97.
Em apenas 30 dias, 20 mil carros foram adicionados ao estoque anterior (179.680 carros), o que representa alta de 11%. A maior parte dos veículos encalhados está na rede de revendedores (126.069). Mas o estoque nos pátios das fábricas cresceu mais: de 57.577 para 73.495 unidades.
Isso aconteceu porque as vendas no atacado (das montadoras para as concessionárias) desabaram em setembro. Sem clientes e com as lojas lotadas de carros, os revendedores compraram das fábricas apenas 128.188 veículos nacionais e importados, 22,5% menos que no mês anterior.
Só que a produção não caiu na mesma proporção. As montadoras fabricaram no período 141.078 unidades, 2,27% menos que em agosto, mas ainda muito acima do que conseguiram vender no mercado interno.
Nem as vendas externas ajudaram a desovar o estoque. As exportações atingiram 25.892 veículos em setembro, mas o resultado foi compensado pelas importações (26.994).
‘‘O estoque atual é recorde da indústria. Ele é suficiente para 49 dias de venda no ritmo atual’’, diz José Carlos Pinheiro Neto, presidente da Anfavea, a associação das montadoras. O recorde anterior - 185.700
veículos - havia sido registrado no final de junho. A produção de automóveis e comerciais leves nos primeiros nove meses do ano foi cerca de 20% menor que no mesmo período de 97 e o quadro não deve se alterar até o final do ano.
Pinheiro Neto já admite que a produção pode cair até 20% este ano, o que daria 1,65 milhão de veículos fabricados, pouco acima do volume de 1995 (1,63 milhão). Apesar disso, prefere manter uma previsão um pouco mais otimista: 1,7 milhão.
Para os fornecedores, as montadoras fizeram cálculo ainda mais pessimista: produção de apenas 1,6 milhão de unidades este ano. Em relação às vendas, a indústria não arrisca previsões, mas aposta em desempenho melhor que em setembro. ‘‘No final do ano as vendas sempre crescem’’, diz Pinheiro Neto.

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