Novo presidente da Anfavea quer produzir três milhões de veículos
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de abril de 1998
Samuka Lopes 
DivulgaçãoJosé Carlos da Silveira Pinheiro Neto é o novo presidente da Anfavea/SinfaveaJosé Carlos da Silveira Pinheiro Neto assumiu na última segunda-feira a presidência da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), em substituição a Silvano Valentino, que conduziu a entidade nos últimos três anos. Pinheiro Neto, diretor de Assuntos Corporativos e Exportação da General Motors do Brasil ficará no cargo nos próximos três anos (1998/2001).
No programa de ação, uma das principais metas de Pinheiro Neto é levar o setor automobilístico brasileiro a alcançar uma escala de produção próxima a 3 milhões de unidades, por volta do ano 2001, o que colocaria o Brasil entre os cinco maiores produtores mundiais de veículos.
Assumo a Anfavea numa fase rica, em que a indústria automobilística brasileira está investindo US$ 20 bilhões no âmbito do Programa Automotivo. Novas marcas estão chegando ao Brasil - 17 fábricas serão inauguradas até o ano 2000 -, e sediaremos o maior número de montadoras que um país já tenha, as mais respeitadas do cenário mundial, destacou Pinheiro Neto.
Esta nova fase do setor poderá significar uma experiência fascinante, com uma disputa acirrada do mercado e um aumento significativo de competitividade, destaca Pinheiro Neto.
Outra meta importante do programa de ação da anfavea diz respeito à exportação: Vamos superar US$ 6 bilhões já neste ano de 1998, com crescimento de 20% em relação a 1997, quando exportamos US$ 4,8 bilhões. Esse resultado é decorrente da adesão do setor ao regime automotivo brasileiro. Eu diria que as exportações, no atual quadro, são uma questão de sobrevivência.
De acordo com Pinheiro Neto, o setor automobilístico, com exportações crescentes ano a ano, será um dos principais colaboradores da economia brasileira, na meta de exportação do Brasil, de US$ 100 bilhões no ano 2000.
O novo presidente da Anfavea reiterou a necessidade de se buscar uma moderna ordem tributária, que arrecade sem punir a atividade produtiva e simplifique o sistema de recolhimento e que afaste os impostos impróprios. Atualmente, para cada carro top de linha que o consumidor adquire, ele paga dois, um para a indústria e outro para o governo. Já no carro popular, a carga tributária supera os 25%, explicou Pinheiro Neto.
Quanto à questão da continuidade do programa automotivo brasileiro e a aprovação de regras únicas para o Mercosul, Pinheiro Neto assinalou que o protocolo assinado pela Anfavea e pela Adefa (a entidade que congrega a indústria automobilística argentina) já foi entregue aos governos dos dois países. Entre seus principais pontos estão a manutenção da alíquota de importação de 35%, com 50% de incentivo para as empresas instaladas no âmbito do Mercosul, desde que suas instalações observem o processo automotivo básico e apresentem investimentos significativos para a abertura de fábricas.
Nesse protocolo também foi adotado o índice de nacionalização de 60% para a produção, utilizado na Argentina, já aprovado pela Organização Mundial do Comércio (OMC). No que diz respeito ao relacionamento das empresas associadas à Anfavea com os sindicatos dos trabalhadores, Pinheiro Neto afirmou que ele será de forma individual: cada empresa tem uma situação peculiar. Quando houver um interesse setorial, a Anfavea, através do Sinfavea, irá defendê-lo, esclareceu.
O presidente da Anfavea destacou que a entidade participará ativamente nos estudos sobre o rejuvenescimento da frota circulante, por meio de programas de inspeção e segurança veicular. Pinheiro Neto disse que, embora a discussão em torno do carro a álcool ainda seja embrionária, ela está ancorada na renovação da frota. O setor, segundo ele, concordou com a mistura de 24% de álccol à gasolina, respondendo a uma consulta do Governo. Mas essa questão ainda não está definida.
Finalmente, disse que o Brasil já está em condições de discutir a cobrança de um royalty sobre seu mercado consumidor. Isso ocorre em outros países onde vamos tentar vender nossos produtos.


