O índice de nacionalização dos carros feitos hoje no Brasil vai crescer entre 5% e 8% dentro de seis meses por conta da desvalorização cambial. O cálculo é do presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), Paulo Butori. Isso vai fazer com que a quantidade de peças brasileiras que hoje são colocadas nos veículos produzidos no País aumente da média de 85% para mais de 90%, em média.
Os fabricantes de componentes já começaram a fazer cálculos das encomendas de peças que as montadoras compravam de outros países, usufruindo de um câmbio próximo da paridade com o real. Seis meses é o tempo calculado para o processo que começa com o recebimento do desenho e a elaboração da cotação, passando depois para a preparação do ferramental, os testes e, finalmente a nacionalização do produto.
O Paraná deve ganhar novos fabricantes de peças para os carros da Volkswagen, como o modelo Audi A3Hoje os carros mais baratos contêm quase todos os componentes feitos no Brasil e, por isso, o índice de nacionalização do carro popular é o mais alto, com cerca de 95% em média. Os modelos médios carregam a média de 85% de conteúdo local. Mas os mais modernos, quase todos do segmento de luxo e esportivos, têm a média de 70%, um índice de nacionalização que trouxe um imediato aumento de custos com a desvalorização do real.
O resultado dessa mudança será o superávit na balança comercial do setor de autopeças. Butori prevê que o setor exportará este ano o equivalente a US$ 4,7 bilhões. Com a queda de importação de peças, tanto por parte das montadoras como dos próprios fabricantes de autopeças, deverá haver um superávit de US$ 500 milhões a US$ 600 milhões.
No ano passado, o setor obteve um pequeno superávit de US$ 32 milhões com a exportação do equivalente a US$ 4,2 bilhões. A negociação da indústria de autopeças com seus próprios fornecedores tem sido cautelosa, segundo Butori, para evitar que a produção local tenha aumento de preços por conta do repasse de custos com insumos importados. ‘‘Uma parcela dos custos terá que ser negociada com as montadoras, mas estamos tentando evitar aumentos pedindo as planilhas a cada um dos nossos fornecedores que reivindicam reajustes para ver se há justificativa’’, destacou.
O Sindipeças fez os cálculos do aumento da nacionalização com base nas linhas que já operam no Brasil. Não conta, portanto, ainda, com a decisão de praticamente todas as novas montadoras de acelerar a nacionalização dos veículos que já começaram a ser produzidos ou que começarão a ser fabricados no Brasil nos próximos meses. ‘‘Não queremos ainda contar com isso porque não sabemos se as montadoras vão mesmo fazer o que estão anunciando e falta também saber como ficará o câmbio’’, disse Butori.
Mas, a prevalecer as promessas dos últimos dias, a indústria de autopeças vai se beneficiar também com os novos planos dos chamados ‘‘newcomers’’, nome dados às novas montadoras que estão se instalando no Brasil e às que inauguram novas fábricas. O presidente da Volkswagen do Brasil, Herbert Demel, por exemplo, anunciou, durante a inauguração da fábrica do grupo Volkswagen Audi, no Paraná, as mudanças no ritmo da nacionalização.
De um programa original de elevar o índice de conteúdo local do Golf e do Audi A3 de 48% e 35%, respectivamente, para 60% em três anos, a Volkswagen/ Audi resolveu aumentar a nacionalização para 80% no caso do Golf e para 50% no Audi A3 em menos de dois anos.
Também durante o assentamento da pedra fundamental da fábrica brasileira, o presidente mundial do grupo PSA Peugeot Citroen, Jean-Martin Folz, anunciou a intenção de comprar o motor do modelo do Peugeot 206, a ser produzido no Brasil, de alguma montadora já instalada enquanto a empresa prepara o seu próprio motor. E ainda negociar com os fornecedores a nacionalização de peças o mais rápido possível.

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