Novas regras para a suspensão já estão em vigor
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sábado, 10 de maio de 2014
Marcos Martins<br> Especial para a FOLHA 
O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) publicou no mês passado a resolução 479, que fixa regras para modificações no sistema de suspensão dos veículos. Os novos parâmetros proíbem o levantamento exagerado da traseira de caminhões e o rebaixamento da dianteira dos automóveis. O artigo 6º da resolução anterior, a 292, de agosto de 2008, que impedia qualquer mudança na suspensão, foi modificado. Com o novo texto, as alterações ficam permitidas, mas com regras e parâmetros bem estabelecidos. Nos veículos com peso até 3,5 mil quilos (carros), o sistema de suspensão poderá ser fixo ou regulável.
A altura mínima permitida para circulação deve ser maior ou igual a 100 mm, medidos verticalmente do solo ao ponto mais baixo da carroceria ou chassi. E o conjunto de rodas e pneus não poderá tocar em parte alguma do veículo quando submetido ao teste de esterçamento. Já nos veículos com peso acima de 3,5 mil quilos, em qualquer condição de operação, o nivelamento da longarina não deve ultrapassar dois graus a partir de uma linha horizontal.
A nova resolução agitou o mercado, depois de sete meses de espera após uma proibição geral das alterações pelo Contran. Na Puff Suspensões, a procura pela regularização de carros rebaixados causou um aumento de 80% dos serviços. "A busca é por molas e amortecedores certificados, que são avaliados no momento da inspeção para a liberação dos documentos", explica o proprietário, Fábio Barbosa. O preço dos kits varia de acordo com o objetivo do cliente. Os mais simples, a partir de R$ 380. Mas há sistemas que alcançam os R$ 2,3 mil.
Em outra oficina, a Nota 10 Suspensões, o movimento também cresceu. São clientes como o estudante Tiago Watanabe, que já tinha o veículo rebaixado, com molas e amortecedores especiais, e agora começou o processo de regularização do veículo. "Quando saía com ele, ficava preocupado com fiscalização, principalmente após a proibição. Agora é o momento de deixar a documentação em dia", avalia Watanabe. O custo do processo é de R$ 750 e tem levado de dez a 20 dias para ser concluído. Já o serviço de troca de acessórios, aprovado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), depende do nível desejado pelo cliente e varia de 24 a 48 horas. "Há muitas pessoas buscando informação, buscando ficar dentro da lei. Tive até que contratar mais dois funcionários para cuidar, principalmente, da parte de documentação", revela o proprietário da Nota 10, Carlos Eduardo Branco.
CAMINHÕES
No setor dos caminhões, proprietários de modelos que levantaram a suspensão traseira para poder carregar mais carga vão precisar reverter as alterações. "Em alguns casos, essa alteração é necessária até para que o peso indicado no manual pudesse ser alcançado. Agora não pode ultrapassar os dois graus", esclarece Ronaldo Cunha, gerente da Molas Pinhais, onde já se registra um aumento de 40% da procura pela regularização. Na opinião do gerente, a busca pelo serviço deve crescer ao passo que a fiscalização nas rodovias aumente.
Antes de buscar uma oficina para fazer as mudanças, o proprietário do veículo deve pedir autorização no Detran e depois das modificações, é necessário obter o Certificado de Segurança Veicular, emitido por uma empresa de inspeção certificada pelo Inmetro e Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). O engenheiro responsável pela MG Inspeções, de Curitiba, Daniel Guimarães Ariede, conta que a demanda cresceu bastante após a nova resolução do Contran. O preço da inspeção varia conforme as modificações realizadas no carro, partindo de R$ 300. (Colaborou Adriana De Cunto)


