Nova motorista é mais segura no volante
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domingo, 04 de fevereiro de 2001
Ed Carlos Rocha De Curitiba 
Machistas de plantão, preparem-se! A combinação mulher, carro e trânsito, vista ao longo da história pela maioria dos homens como uma bomba prestes a explodir, vai ser cada vez mais comum no dia-a-dia. Impulsionadas por uma mudança cultural iniciada há 15, 20 anos, cada vez mais novas motoristas estão entrando no trânsito. Elas também estão mais seguras e dispostas a conquistar de vez outro território ainda considerado como masculino.
Números do Detran-PR confirmam que a presença da mulher no trânsito, ainda que timidamente, está aumentando ano a ano em relação aos homens. Elas hoje respondem por cerca de 25% dos 2.370.023 condutores habilitados no Paraná. Em 1998, essa porcentagem ficava na casa dos 22%. Em termos nacionais, segundo o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), elas representam 25,5% das habilitações.
A explicação é simples. As mudanças na estrutura familiar, na qual a esposa tem mais responsabilidades, e no mercado de trabalho, em que estão mais presentes, fizeram as mulheres serem, em muitos casos, obrigadas a dirigir. Diferente de 15 anos atrás, hoje elas precisam ir ao trabalho, levar os filhos para a escola, ir ao médico etc. Isso as tornou cada vez menos dependentes dos homens para se locomoverem, avalia o psicólogo paulista Antônio Fajardo Amaral, que há 25 anos trabalha com segurança e educação no trânsito.
Mas, mais do que isso, elas estão chegando com mais confiança às ruas. Ao contrário de cerca de 15 anos atrás, a mulher hoje é incentivada pelos próprios pais a aprender a dirigir ainda jovem. Assim, como os homens são quando adolescentes, elas estão mais familiarizadas com o ato de dirigir, o que transmite mais segurança, afirma a psicóloga Neuza Corassa, 42 anos, especialista em tratar pessoas com medo de dirigir.
Uma pesquisa informal com as motoristas recém-aprovadas no exame prático do Detran confirma o que dizem os especialistas. A maior parte delas afirma estar preparada para entrar nas ruas sem temer as discriminações do mundo machista.
A estudante de turismo Camila Carrasco, 18 anos, é um exemplo disso. Apesar da pouca experiência no volante, encaro a situação de igual para igual. Homem não me intimida, afirma.
Camila reflete uma massa de mulheres que querem juntar o ato de dirigir a uma leva de conquistas de independência em relação aos homens. Ter passado no teste foi para mim a conquista da independência, de poder ir para onde quiser sem precisar de ninguém me levar, explica.
A segurança dela tem a ver com outra questão bastante comum em se tratando das jovens motoristas: hoje os próprios pais fazem questão que a menina aprenda a dirigir. Antes mesmo de entrar na auto-escola já tinha começado a aprender a dirigir com o meu pai, o que me deixou mais tranquila para as aulas e também para o exame, conta Camila, que conseguiu a habilitação no primeiro teste.
A estudante de Artes Cênicas, Paula Oliveira, 19 anos, também engrossa o time das motoristas que não se intimidam no trânsito. Não vejo porque considerar o trânsito um espaço dos homens. As mulheres têm direitos iguais de dirigir e vou dirigir com esta tranquilidade, conta ela, que também conseguiu a carteira há menos de 15 dias.
Mas tanta segurança também preocupa os profissionais da área. Segundo o psicólogo Antônio Fajardo Amaral, a tendência é que no futuro a mulher acabe cometendo as mesmas imprudências do que a maioria dos homens. Elas acabam pegando os vicios e imprudência dos homens.


