Nova mistura de etanol na gasolina deve pesar no bolso
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sábado, 21 de fevereiro de 2015
Cecília França<br> Reportagem Local 
A gasolina comum vendida nos postos de combustíveis de todo o País deve receber uma dose extra de etanol nas próximas semanas. O decreto autorizando o aumento de 25% para 27% na mistura seria publicado pelo governo federal no último dia 16, no entanto, foi adiado, possivelmente para o fim deste mês. Desde que foi anunciado, o acréscimo na porcentagem vem sendo debatido e especialistas decretam: haverá aumento no consumo dos veículos a gasolina.
O engenheiro Clayton Bezu, da SAE Brasil (associação que reúne engenheiros de todo o País), diz que o aumento é muito pequeno, abaixo de 1%, e acontece em função da diferença de energia gerada pelo biocombustível e o combustível fóssil. Ele explica que os veículos com centrais eletrônicas de injeção são programados para aceitar determinada mistura, mas conseguem corrigir distorções.
"O conteúdo energético do etanol é menor, precisa de mais massa para dar a mesma quantidade de energia (da gasolina). Num primeiro instante sobra oxigênio no escapamento, a central eletrônica percebe a deficiência de combustível e na próxima injeção injeta um pouquinho mais", detalha. Esse diferencial deve ser de cerca de 0,7%, diz Bezu.
O engenheiro afirma não esperar nenhuma alteração de dirigibilidade nestes veículos, já os antigos, que não possuem injeção eletrônica, devem apresentar esses sintomas. Veículos entre dez e 20 anos de fabricação representam 30% da frota brasileira, que tem oito anos, em média. Bezu diz que vários países da Europa e os Estados Unidos começaram a produzir veículos flex há alguns anos, mas com calibrações diferentes, por isso, carros importados também podem apresentar alterações com a nova gasolina.
A principal diferença física entre os motores próprios para cada combustível é a taxa de compressão, que fica entre 12 e 13 por 1 (13:1) para o álcool e 10 por 1 (10:1) para a gasolina. Essa relação determina o quanto a mistura de ar e combustível será comprimida dentro do motor antes de sua queima. Já os motores flex têm uma taxa média, cerca de 11,5:1 e, por isso, não aproveitam todo o potencial do etanol.
O professor de engenharia mecânica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) José Antonio Velásquez acredita que as alterações tanto de consumo quanto no motor serão mínimas e vê o aumento da mistura dos combustíveis como uma necessidade econômica. Isso porque a energia contida em um litro de combustível vai diminuir, mas o preço continuará o mesmo.
"Você está pagando a mesma coisa por um pouquinho menos de energia, menos de 1%, mas, multiplicando isso pela população, tem impacto positivo (no caixa do governo)", defende.
O técnico agrícola Rubson Ribeiro Sibaldelli, 45 anos, dono de um Xsara Picasso 2.0, ano 2001, movido apenas a gasolina, já conta com o impacto do aumento da mistura no bolso. Ele possui planilhas de acompanhamento do consumo do veículo por litro e utiliza apenas gasolina comum.
"Eu vejo assim: quando aumenta o etanol, o consumo aumenta, embora eu não tenha base para comprovar. Acredito também que gastarei mais com mecânica", afirma. Sibaldelli conta que a esposa possui um carro flex e que, após muitas contas, eles chegaram à conclusão de que o ideal, financeiramente, era completar o tanque com 20 litros de gasolina e o restante de álcool. "Agora, vamos ter que refazer as contas", ressalta.


