No país dos SUVs
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domingo, 30 de novembro de 2014
Cecília França<br> Reportagem Local 
Os hatches ainda dominam, mas os utilitários esportivos (SUVs, na sigla em inglês) são cada vez mais comuns nas ruas do País. Imponentes, eles contrariam a tendência de busca por meios de transportes mais econômicos e compactos - diante do trânsito cada vez mais inchado das cidades - e arrebatam fãs. De 2003 para 2013, a participação de mercado desses modelos entre os comerciais leves saltou de 3,07% para 7,67%, segundo estudo da consultoria especializada Jato Dynamics.
O levantamento aponta que os SUVs são bem aceito em grandes metrópoles, vendidos principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. Na última década, 36% dos emplacamentos em São Paulo foram do modelo; no Rio de Janeiro, 9%; no Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, 7%. Seguindo a tendência, nos últimos cinco anos, mais de 30 novos modelos de SUVs foram lançados no mercado.
Com o sucesso de vendas do Ecosport, a Ford lidera o segmento com 27,3% de participação. Praticamente empatadas, Hyundai e Mitsubishi vêm logo em seguida representando 13,9% e 13,2% da fatia do mercado de SUVs, respectivamente, mas ao contrário da Ford, as duas marcas possuem grande variedade de utilitários, o que contribui para o bom desempenho. A Chevrolet ainda possui uma expressiva participação no segmento devido às vendas nos anos anteriores da Blazer e Captiva. O destaque agora vai para a Renault que, com o alto volume de vendas do Duster, lançado em 2011, vem ganhando espaço.
"Desde o início das quedas das peruas, que dominavam o mercado nos anos 1990, o Ecosport aparece com destaque nas vendas dentro deste segmento. Entretanto não podemos desconsiderar a participação do Renault Duster que, durante o processo de reestilização da Ecosport no final de 2013, comercializou entre novembro e dezembro de 2013 mais veículos que a própria Ecosport", diz Kalume.
No mês passado, a situação se repetiu e o Duster liderou, com 4.773 unidades emplacadas, enquanto o Ecosport registrou 4.523 emplacamentos. No acumulado do ano, porém, o modelo da Ford volta a assumir a dianteira com certa folga: 45.106 contra 38.613. Com os lançamentos do Jeep Renegade e do Honda HR-V, em 2015, a composição atual certamente vai ser alterada.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, ressalta que os SUVs são uma tendência mundial e atraem indistintamente os públicos. "Como a infraestrutura do Brasil não é perfeita, o veículo mais alto sofre menos com os buracos", acrescenta ele, apontando a sensação de segurança como uma das preferências das mulheres.
Os SUVs foram a solução encontrada por Paulo e Maristela Tirroni para transportar toda a família com conforto, isso porque, tanto o pai quanto o filho mais velho do casal têm mais de 1,85 metro de altura. "Enquanto era só meu marido, ele sentava no banco do motorista e conseguia regular o banco, mas a partir do momento que os filhos cresceram, o carro ficou pequeno", conta Maristela.
Tirroni optou pelo EcoSport e a esposa pelo Tucson, modelo da Hyundai. Outros pontos positivos apontados por ela são a altura do banco e a visibilidade do modelo, que conferem maior sensação de segurança. "Parece que os SUVs são melhores na questão de segurança, mais reforçados", analisa ela.
Para Tirroni, que já teve um Corolla, o SUV representou mais facilidade de acesso. "Eu achava (o sedã) muito baixo, tinha que praticamente agachar para entrar, e eu tenho problema com a altura do teto, dá uma sensação de claustrofobia, coisa que não tenho com o SUV", conta.
Abandonar o modelo não faz parte dos planos do casal. "Talvez, só quando eu não estiver mais carregando meus filhos, bem futuramente", diz Maristela. Leia mais nesta edição.
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