No meio do caminho tinha um buraco, tinha um buraco no meio do caminho. Carlos Drummond de Andrade que nos perdoe a adaptação e o uso nada poético de seus versos para ilustrar um dilema rotineiro dos londrinenses: a má conservação do asfalto. Em períodos chuvosos, o problema se agrava e o risco de "cair" em um buraco se intensifica, colocando o motorista em risco e causando prejuízos ao veículo.
Foi o que aconteceu com o metalúrgico Vinícius Florêncio, 27 anos, ao passar por um buraco com sua Spacefox. Ele diz que sentiu o problema dias depois. "O carro estava vibrando e quando fui trocar o pneu vi que a roda estava amassada, perdeu o balanceamento", relata. Florêncio não sabe precisar em qual rua teve o problema, uma vez que "tem um buraco a cada esquina".
"Fui ao mecânico esperando pagar pelo balanceamento e tive que pagar o torneamento e o pneu", contabiliza. As duas rodas traseiras do veículo foram amassadas e, depois do acidente, o metalúrgico diz que redobrou a atenção. "Quando vejo um buraco tento desviar, sem fazer manobras bruscas, para evitar acidentes."
Há alguns anos, o porteiro Salomão Weby, 61, viveu situação parecida e perdeu uma roda e um pneu de seu carro preferido: um Fusca 1977, todo original. "Eu estava descendo a (avenida) Castelo Branco, estava chovendo e eu não tinha como ver a valeta", relata ele, que trafegava em baixa velocidade.
Weby teve um prejuízo, na época, de quase R$ 200 e pensou em requerer o ressarcimento junto ao município, mas acabou desistindo. "Fiquei com o prejuízo, porque ir atrás da prefeitura é uma burocracia danada, é mais fácil evitar a dor de cabeça", reclama.
Mecânico há 20 anos, Martinho Rodrigues trabalha com alinhamento e balanceamento na cidade. Ele conta que sempre recebe clientes com problemas causados por buracos nas ruas e que a procura aumenta em períodos chuvosos.
"Estraga amortecedor, pivô, cambagem, cárter, tudo. E não precisa ser um buraco grande", alerta. Rodrigues diz que a alta velocidade é a principal causa de problemas nos veículos. "Até em um quebra-molas, se você passar a 100 km/h já estraga o carro, porque a mola é feita para absorver determinado impacto, não pode passar daquilo", orienta.

Minimizando danos

O professor de Manutenção Automotiva do Senai Eraldo de Souza Leite ressalta que o ideal é desviar dos buracos para prevenir prejuízos à suspensão do veículo, bem como respeitar a velocidade limite nas vias. No entanto, nos casos em que o motorista não consegue evitar o impacto, ainda assim é possível minimizar os danos.
"É melhor não passar com o pé no freio, porque o dano é pior. Ao passar em um buraco freando, trava a roda e, quando bate no buraco, danifica roda e suspensão", alerta ele. Nesses casos é muito comum o motorista ter que refazer a cambagem (alinhamento do pneu em relação ao veículo) e o cárter (reservatório de óleo do motor).
O conserto das rodas depende do tipo que equipa o veículos. Já em relação aos pneus, nem sempre o "remendo" é uma boa opção. Trafegar em velocidade reduzida também diminui os prejuízos, mas os impactos frequentes são prejudiciais a longo prazo.
"Se você passou em um buraco hoje e não aconteceu nada, passa amanhã de novo, o acúmulo de impacto pode afetar a suspensão", alerta Leite. A melhor saída é mesmo evitar os buracos no meio do caminho.

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