Nem promessa salvou a moto Harley
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de outubro de 1998
Mauricio Della Barba 
O bancário Kazuo Saito, de 39 anos, tentou de tudo, fez até promessa, mas não conseguiu largar sua Harley. Quando a paixão está no sangue, o compromisso se perde. Foi desde cedo, quando garoto em Assaí, que Saito descobriu a sua queda por motos. Aos 15 anos, junto com o irmão, comprou uma Ducati 160. Pelas ruas e estradas de terra da pequena cidade, soube curtir os prazeres e as dificuldades das duas rodas. A gente mais empurrava do que andava, lembra Saito.
A moto de Saito traz inúmeros detalhes e equipamentos que caracterizam a marca HarleyMesmo com os transtornos, Saito insistiu e quatro anos depois, aos 19 anos, comprava uma Harley Davidson 1958. Foi a primeira de uma sequência. Talvez nem pensasse que, ao andar nela, poderia se tornar um louco por Harley. Mas assim o destino quis, e Saito passou a ter a moto como parte da sua vida.
Bem que ele tentou se livrar daquela doença, mas não teve jeito. Depois de namorar um bom tempo, resolveu seguir a tradição e subiu ao altar da Igreja. E prometeu: Quando casar, vou vender essa moto. Dito e feito. Não durou muito tempo e a tentação atacou novamente Saito. Convenceu a esposa Letícia e comprou outra Harley, modelo 1951. Ficou satisfeito. Porém, por pouco tempo. Quando Letícia engravidou, Saito fez outra promessa: Quando meu filho nascer eu vendo a Harley. Homem de palavra. Quando Guilherme nasceu, em 1986, foi-se a moto. Troquei ela por um jogo de mesa, cadeiras e o sofá, recorda Saito.
Depois de quatro anos, Saito foi pego de novo pela loucura. Em 1990 surgiu a sua Harley SLH Electra Glide 1976. Toda original, teve seu motor, de 1200 cc, retificado pelo próprio Saito. Hoje, Saito já reconheceu sua loucura. A esposa, Letícia, também: Tive que aprender a gostar .
O potente motor de 1.200 cc da Harley Davidson 1976 foi retificado pelo próprio SaitoA moto traz detalhes e equipamentos como os alforjes (bolsas de couro para bagagens) e os inúmeros logotipos. Além da moto, Saito também faz questão de se caracterizar. O uniforme básico é a calça jeans, a camiseta preta, jaqueta de couro e as botas, diz. O bancário conta ainda com bandanas para usar na cabeça, capacete personalizado, relógio, luvas e as chapareiras, uma capa de couro usada por cima das calças.
Saito só anda com a moto nos fins de semana e somente para passear. Trabalhar com ela, jamais. É igual a roupa nova. Só uso em ocasiões especiais, justifica. Integrante do grupo londrinense Pé Vermelho, Saito viaja no mínimo 3 vezes com a Harley. Sua maior aventura foi até Serra Negra, no encontro nacional dos Harlystas, que ocorre anualmente. A grande aventura é a viagem com os amigos. Nas paradas nos postos ficamos até uma hora conversando.
Saito faz questão de dizer que andar e gostar de uma Harley não tem nada a ver com drogas ou violência. Pelo contrário. No nosso grupo levamos a família para participar. Andamos devagar e respeitamos todos. A família vem em primeiro plano. A esposa, Letícia, e os dois filhos do casal, Guilherme e Evandro, sabem muito bem da história. Sobre a possibilidade de mais uma promessa, Saito diz: Enquanto eu puder subir em uma Harley, vou andar de moto. O sonho do bancário é fazer uma viagem com a esposa de Londrina até os Estados Unidos a bordo de sua Harley Davidson.


