O bancário Kazuo Saito, de 39 anos, tentou de tudo, fez até promessa, mas não conseguiu largar sua Harley. Quando a paixão está no sangue, o compromisso se perde. Foi desde cedo, quando garoto em Assaí, que Saito descobriu a sua ‘‘queda’’ por motos. Aos 15 anos, junto com o irmão, comprou uma Ducati 160. Pelas ruas e estradas de terra da pequena cidade, soube curtir os prazeres e as dificuldades das duas rodas. ‘‘A gente mais empurrava do que andava’’, lembra Saito.
A moto de Saito traz inúmeros detalhes e equipamentos que caracterizam a marca HarleyMesmo com os transtornos, Saito insistiu e quatro anos depois, aos 19 anos, comprava uma Harley Davidson 1958. Foi a primeira de uma sequência. Talvez nem pensasse que, ao andar nela, poderia se tornar um ‘‘louco por Harley’’. Mas assim o destino quis, e Saito passou a ter a moto como parte da sua vida.
Bem que ele tentou se livrar daquela ‘‘doença’’, mas não teve jeito. Depois de namorar um bom tempo, resolveu seguir a tradição e subiu ao altar da Igreja. E prometeu: ‘‘Quando casar, vou vender essa moto’’. Dito e feito. Não durou muito tempo e a ‘‘tentação’’ atacou novamente Saito. Convenceu a esposa Letícia e comprou outra Harley, modelo 1951. Ficou satisfeito. Porém, por pouco tempo. Quando Letícia engravidou, Saito fez outra promessa: ‘‘Quando meu filho nascer eu vendo a Harley’’. Homem de palavra. Quando Guilherme nasceu, em 1986, foi-se a moto. ‘‘Troquei ela por um jogo de mesa, cadeiras e o sofᒒ, recorda Saito.
Depois de quatro anos, Saito foi ‘‘pego’’ de novo pela ‘‘loucura’’. Em 1990 surgiu a sua Harley SLH Electra Glide 1976. Toda original, teve seu motor, de 1200 cc, retificado pelo próprio Saito. Hoje, Saito já reconheceu sua ‘‘loucura’’. A esposa, Letícia, também: ‘‘Tive que aprender a gostar ’’.
O potente motor de 1.200 cc da Harley Davidson 1976 foi retificado pelo próprio SaitoA moto traz detalhes e equipamentos como os alforjes (bolsas de couro para bagagens) e os inúmeros logotipos. Além da moto, Saito também faz questão de se caracterizar. ‘‘O uniforme básico é a calça jeans, a camiseta preta, jaqueta de couro e as botas’’, diz. O bancário conta ainda com bandanas para usar na cabeça, capacete personalizado, relógio, luvas e as ‘‘chapareiras’’, uma capa de couro usada por cima das calças.
Saito só anda com a moto nos fins de semana e somente para passear. Trabalhar com ela, jamais. ‘‘É igual a roupa nova. Só uso em ocasiões especiais’’, justifica. Integrante do grupo londrinense ‘‘Pé Vermelho’’, Saito viaja no mínimo 3 vezes com a Harley. Sua maior aventura foi até Serra Negra, no encontro nacional dos ‘‘Harlystas’’, que ocorre anualmente. ‘‘A grande aventura é a viagem com os amigos. Nas paradas nos postos ficamos até uma hora conversando’’.
Saito faz questão de dizer que andar e gostar de uma Harley não tem nada a ver com drogas ou violência. ‘‘Pelo contrário. No nosso grupo levamos a família para participar. Andamos devagar e respeitamos todos. A família vem em primeiro plano’’. A esposa, Letícia, e os dois filhos do casal, Guilherme e Evandro, sabem muito bem da história. Sobre a possibilidade de mais uma promessa, Saito diz: ‘‘Enquanto eu puder subir em uma Harley, vou andar de moto’’. O sonho do bancário é fazer uma viagem com a esposa de Londrina até os Estados Unidos a bordo de sua Harley Davidson.

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