Nem preconceito impede sucesso de caminhoneira
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de março de 2010
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
Superar o preconceito é um desafio cotidiano para a caminhoneira Mirian Kunhavalick. Mas ela sempre tirou isso de letra. Nunca se importou com aqueles que colocam em dúvida sua capacidade de conduzir um truck. Ela faz questão que todos a sua volta a reconheçam por seu profissionalismo e eficiência e não apenas pelos atributos físicos.
Vaidosa - não revela a idade de forma alguma -, Mirian chama atenção quando chega com seu caminhão-caçamba decorado com beijos na cor pink. Faz questão de andar sempre de salto alto, cabelo arrumado e maquiada. Se engana, porém, quem pensa que ela não tem força para o duro trabalho de uma caminhoneira - ela trabalha com terraplanagem. ''Faço até 60 viagens por dia'', conta.
As viagens, no entanto, se restringem à região de Londrina. ''Eu não gosto de me ausentar de casa. Além disso, outros caminhoneiros demonstram preconceito e alguns até medo. No caso do meu caminhão quebrar na estrada, ninguém vai parar para me auxiliar'', justifica. ''Por mais que a mulher está inserida em todos segmentos do mercado de trabalho, em muitos casos, ela ainda não é aceita'', completou, com uma ponta de mágoa.
Para que esse preconceito não prejudique seu trabalho, Mirian diz que sempre se impõe quando está trabalhando. ''Eu sou o espelho a partir do momento que entro em uma obra. A responsabilidade aumenta e preciso me doar ao máximo''.
Sobre o início na profissão, ela lembra que sempre sonhou ser caminhoneira. ''Antes eu não tinha condições financeiras de ter um caminhão e também não conseguia emprego por causa do preconceito. Por isso, decidi ir para fora do país (morou quatro anos em Londres) para juntar dinheiro. Quando voltei a primeira coisa que fiz foi comprar meu caminhão e realizar meu sonho'', finalizou.


