Nave espacial ao alcance de terráqueos
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de março de 2016
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Pouco mais de um ano depois, a reportagem da FOLHA teve a oportunidade de testar novamente o Discovery Sport, modelo da Jaguar Land Rover conhecido na gélida Islândia, em janeiro de 2015. Desta vez, o desempenho do utilitário esportivo da montadora inglesa foi colocado à prova em terras brasileiras, cedido pela concessionária Euro Import, de Londrina. E a sensação que fica depois de rodar na máquina é comparada à de estar a bordo de uma nave espacial.
Por um fim de semana, o carro foi testado na cidade, na estrada e na fazenda e, em todos os terrenos, mostrou a potência do motor 2.2 litros SD4 a diesel, de 190 cavalos (cv), e a estabilidade proporcionada pelo sistema de tração Terrain Response, velho conhecido dos admiradores da marca.
O conforto interno foi destaque durante o teste, agradando motorista e passageiro da frente, que podiam controlar o assento - com possibilidade de oito ajustes elétricos para altura, largura e lombar, com função de memória para até três configurações diferentes - e o ar condicionado dual zone. O trio que ocupou os bancos traseiros também não reclamou de enfrentar duas horas de viagem no veículo. Espaçoso a distância para as pernas é de 999 milímetros (mm) - e aconchegante, o banco de couro proporcionou momentos agradáveis de soneca aos viajantes, graças ao rebatimento dos assentos, deslizantes, na posição 60:40. Flexível, segundo dados da montadora, os bancos da segunda fileira se deslocam 160 mm para frente e para trás. A possibilidade de determinar a temperatura do ar condicionado traseiro de forma independente também agradou os ocupantes.
O sol atrapalhou a vista do céu azul e a cortina de tecido com acionamento elétrico do teto solar panorâmico teve de permanecer fechada na viagem, para reduzir a claridade. Mas à noite foi possível usufruir do item opcional e admirar o brilho das estrelas. Fixo e em vidro, o teto solar dá sensação de um espaço interno maior, inundando o veículo com luz natural.
Diferente do test drive na Islândia, onde o off road tomou conta do passeio, neste teste pudemos acelerar o carro na estrada e perceber a capacidade de retomada do propulsor em subidas e ultrapassagens. Ao contrário do motor a gasolina, de 240 cv, o veículo a diesel demorava uns segundos a mais para arrancar, mas quando recuperava a velocidade auxiliado pela transmissão automática de 9 velocidades com sistema de troca de marchas que se adapta ao estilo do condutor - conseguia ultrapassar com facilidade até mesmo uma fila de caminhões.
A reportagem testou também o funcionamento do piloto automático. Foi preciso procurar no manual como acioná-lo, mas depois de pegar o jeito, foi só definir a velocidade limite da estrada e pressionar o botão correspondente no volante. Depois, veio o conforto de seguir pela rodovia sem precisar acelerar ou frear só em caso de ultrapassagem -, nem se preocupar com os radares.
Outra curiosidade do utilitário é que o ronco do motor a diesel só se parecia com o de uma caminhonete do lado de fora. Dentro do SUV não se ouvia nada do que acontecia fora, graças ao conforto acústico. Também não há solavancos típicos de veículos a diesel quando o assunto é Land Rover.
Bastante prático, o sistema de áudio Meridian Surround Sound torna qualquer viagem mais divertida. E neste teste não foi diferente. Com 17 alto-falantes e entradas para rádio, CD, iPod, USB e conexão Bluetooth, pareamos rapidamente os smartphones e ouvimos desde a trilha sonora pessoal dos passageiros até playlists ofertadas por aplicativos de música, graças ao plano de dados do celular. Pendrives e CDs não fizeram falta.
A função Start/Stop pegou alguns passageiros que não conheciam o sistema de surpresa e mostrou-se bastante eficiente quanto à economia de combustível. Num percurso de pouco mais de 200 quilômetros, o veículo gastou, em média, 12 km/litro de diesel, conforme dados do computador de bordo. Com um tanque de 65 litros de capacidade foi possível rodar mais de 600 quilômetros sem abastecer.


