Mais do que um simples caminhão, o Nash 1951 é uma verdadeira herança de família. Esse caminhão americano é a prova de muito trabalho e esperança da família Bolognese. ‘‘Ele representa muita coisa na nossa vida’’, fala com orgulho Milton Bolognese, um agricultor londrinense de 64 anos.
O Nash 1951, um caminhão fabricado em Wisconsin, nos Estados Unidos, foi comprado novo, da concessionária ‘‘Lojapel’’ em Londrina, pelo pai de Milton, Luis Bolognese, já falecido. Com motor a gasolina, de seis cilindros e 95 cv de potência, o caminhão era resultado da fartura e de muito trabalho da época de grandes safras. Com capacidade para carregar 5 mil quilos, o ‘‘forte’’ Nash já transportou mais de 6 mil quilos na carroceria e continua ‘‘inteirinho’’. Na época, o caminhão custou 125 mil réis, um dinheiro alto.
O Nash é um caminhão fabricado na cidade de Kenosha, em Wisconsin, nos Estados UnidosHoje, o caminhão só não é todo original por causa do motor. O antigo Nash fez muito e não pode ser recuperado. Com a saída da marca do País, as peças se tornaram difíceis de encontrar e o caminhão não podia ficar parado. Mas durou bastante. O novo ‘‘coração’’ veio somente em 1977, um Chevrolet Brasil, também a gasolina de seis cilindros e 145 cv de potência. Com esse motor, que está funcionando até hoje, o caminhão tem 140 mil quilômetros rodados.
De resto, o Nash 51 conserva todas as suas originais qualidades: câmbio, diferencial, cabine, lataria e caçamba estão inteiras, sem nenhum problema ou ferrugens. ‘‘Nunca foi batido. O Nash está igualzinho a aquele tempo.’’, diz Milton, lembrando do dia em que saiu da loja a bordo do caminhão azul com seu pai. Tinha 17 anos e foi com o Nash que aprendeu a dirigir. Milton fala que o Nash é o único em Londrina: ‘‘Apareceu um homem dizendo que em Curitiba também tem um, mas está todo desmontado’’.
O Nash 51 conserva quase todas as suas originais qualidadesMesmo com boas lembranças que o Nash 51 traz a Milton, a herança pode mudar de mãos.‘‘Eu não tenho mais condições de cuidar dele. Acho que alguém que gosta disso pode fazer melhor. A gente tem que passar prá frente para ele continuar sendo útil’’, lamenta Milton. Embaixo de um galpão, o caminhão descansa sob a poeira e alguns raios de sol. O agricultor diz que necessita de maior cuidado, pois fica muito tempo parado.‘‘É triste, mas já ajudou muito a gente. Agora ele deve ter um lugar próprio. Gostaria de vê-lo em um museu’’, finaliza Milton.Josoé de CarvalhoMilton Bolognese ao lado do seu Nash 1951: ‘‘Ele representa muita coisa na nossa vida’’
Mauricio Della Barba

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