Nas oficinas, os acidentes fatais
Reparação de veículos automotores é o setor com maior índice de acidentes de trabalho no Brasil
Na Savana Veículos, concessionária Mercedes-Benz em Curitiba, os funcionários que trabalham nas oficinas cumpem rigorosamente as normas de prevenção de acidentes e a empresa investe pesado em cursos e treinamento de pessoalEm 1998, uma média de 566 empresas foram interditadas pelo Ministério do Trabalho, a cada mês, no Brasil. Isso porque a maioria delas desconhece as Normas Regulamentadoras (NRS) do órgão e não cumprem os seus papéis na prevenção de acidentes e cuidados com a saúde dos funcionários.
O número é alarmante, se considerar que, de 97 para 98, o volume de inspeções aumentou apenas 0,27%, enquanto que o de interdições cresceu 44,02% - o que indica que as empresas estão cada vez mais displicentes. No ano passado, foram fiscalizadas uma média de 10.484 empresas por mês, no País. Destas, 5,3% foram interditadas. No Paraná, a situação é um pouco melhor. De uma média de 924 inspeções realizadas por mês, no ano passado, apenas 0,3% das , empresas foram interditadas.
O chefe do Serviço de Segurança e Saúde do Trabalhador do Ministério do Trabalho (DRT-PR), Sérgio Silveira de Barros, explica que qualquer empresa, independente de tamanho ou número de funcionários, tem que cumprir com as normas de segurança. Para começar, elas devem solicitar a aprovação do Ministério do Trabalho antes mesmo de entrar em funcionamento, diz. Porém, Barros afirma que menos de 1% das empresas cumprem as normas. O maior percentual de acidentes de trabalho fatais, hoje, no Paraná, é encontrado no setor de comércio e reparação de veículos automotores.
Atenta para quaisquer riscos de acidentes, a Savana - concessionária Mercedes-Benz em Curitiba - está servindo de exemplo para as grandes empresas de todo o Brasil. A revenda, desde a sua inauguração, há mais de 30 anos se preocupa com a saúde e bem-estar de cada funcionário. Para o diretor de empresa, Luís Antônio Sebben, o objetivo da Savana não é apenas instruir e fazer deles bons profissionais, mas torná-los cidadãos exemplares, dentro e fora da empresa.
Por isso, a Savana cumpre cada uma das regras do Ministério do Trabalho e Sebben não se queixa das despesas: Segurança e saúde dos funcionários não são gastos, e sim investimentos. Nós ganhamos em produtividade e, muitas vezes, os nossos trabalhadores fazem, sozinhos, o que dois ou três fariam em outros lugares, diz.
Ele adverte as empresas para que não se preocupem apenas com a inspeção do governo, mas que se dediquem realmente à saúde dos trabalhadores. O Ministério fiscaliza, mas o interesse pelo bem-estar dos funcionários deve partir dos próprios empresários, diz.
Em 98, a Savana investiu 44,5 mil reais na saúde e segurança dos seus 130 trabalhadores. Sebben que, a cada real investido por funcionário, o retorno, a médio prazo, é de cerca de quatro reais. Um exemplo claro desta visão foi a campanha de vacinação contra a gripe, realizada na empresa antes do início do inverno. Todos foram vacinados e o resultado foi surpreendente: ninguém faltou ao trabalho por estar com gripe.
Estresse - Além de serem treinados periodicamente na fábrica da Mercedes-Benz, os funcionários da Savana participam, todas as semanas, de palestras sobre os mais variados temas voltados à qualidade de vida e motivação. Para Sebben, o importante não é que os funcionários trabalhem a vida inteira na Savana. Desejamos que eles entrem na empresa e, se tiverem que sair, que saiam melhores do que entraram, declara. Em 98, a Savana promoveu mais de 60 palestras e a previsão para este ano é que aconteçam mais de cinco por mês.
A funcionária Vanderli Liberato de Macedo participou da palestra sobre Como deixar de fumar e diz que isso mudou a sua vida. Faz dois meses que não fumo e isto está sendo ótimo para mim, diz. Ela declara que nunca trabalhou em uma empresa que se preocupasse tanto com a qualidade de vida dos funcionários e lamenta que isso só aconteça com muito poucas empresas do País.
Sérgio Silveira de Barros lembra ainda que existe um plantão técnico do Ministério do Trabalho (PR) à disposição dos trabalhadores e empresários, para atender denúncias e receber solicitações de palestras e inspeções, através do telefone 200-1600. Ele explica que o Ministério existe no Paraná não só para fiscalizar e punir, mas principalmente para orientar as empresas, trabalhadores e empresários. Barros destaca ainda que o problema da segurança e da saúde no trabalho é tão grande que o Ministério não consegue solucionar sozinho.





