Pagar um preço razoável em um veículo usado com baixa quilometragem pode ser bom negócio para quem ainda não tem condições de investir em um modelo novo e também não quer um carro muito rodado. Mas também pode representar uma armadilha.
A adulteração do hodômetro - equipamento que mede a quilometragem rodada - para agregar valor na venda de veículos é um crime mais comum do que se pensa. É o que mostra um levantamento feito pela Checkauto, empresa ligada ao grupo Dekra e especializada em levantamento de informações sobre histórico de veículos seminovos e usados.
A empresa mantém um banco de dados nacional com aproximadamente 2,5 milhões de veículos vistoriados, sendo que 75% têm registros de histórico de quilometragem. Desse montante, 13% possui algum tipo de suspeita de adulteração relativa ao que marca no hodômetro. ''Houve um crescimento de 33% nesse número de suspeitas comparando janeiro a junho de 2011 com o mesmo período do ano passado'', explica José Ramalho, consultor da Checkauto.
Para quem cai na armadilha de comprar um carro com hodômetro adulterado, os prejuízos logo aparecem. ''Você pode achar que está com um carro quase novo, quando na verdade ele já está bem rodado. E quanto mais velho um veículo, maior é a sua manutenção. Além disso, há vários componentes de um carro que precisam de troca preventiva', afirma Edison Bonifácio, professor do curso de mecânica automotiva do Senai. ''Como está acompanhando uma quilometragem errada, a pessoa acaba fazendo uma manutenção errônea'', ressalta o consultor da Checkauto.
Por isso, na hora de comprar um seminovo ou usado é preciso ter atenção e avaliar algumas características que, apesar de não confirmarem a adulteração, podem gerar suspeitas. Na dúvida, a melhor opção pode ser escolher um outro modelo. ''Carro é igual a gente, envelhece por inteiro'', avalia Bonifácio.
O perito Wesley Dancleguer, da Terceira Visão - que trabalha com vistoria veicular de usados e seminovos -, diz que, apesar de seus serviços não incluirem a checagem de adulteração de quilometragem, ele conta que não é raro se deparar com carros em situação suspeita nesse sentido e orienta seus clientes sobre isso.
Segundo o perito, dependendo das condições de alguns itens é possível, pelo menos, ter uma suspeita de que o que está no hodômetro pode não ser a verdade. ''Precisa avaliar o desgaste de volante, bancos, câmbio e pedaleiras, além dos pneus, se são originais ou não. É bom olhar o manual do carro também, pois ali podem constar todas as revisões feitas pela concessionária. Se não houver manual já pode ser um indício de algo errado'', explica.
De acordo com o professor do Senai, a pintura também precisa ser avaliada. ''Um carro que, supostamente, tem dois anos e foi pintado, pode ser estranho'', diz Bonifácio. ''Você pega tudo isso e junta para ver se é compatível com a quilometragem do carro'', ressalta o perito.

Imagem ilustrativa da imagem Não caia na armadilha da quilometragem adulterada