Na oficina do 'Cesinha'
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sábado, 25 de junho de 2011
Wilhan Santin <br> Reportagem Local 
A história é muito conhecida por quem curte o automobilismo nacional. Há um ano, em 26 de junho de 2010, o cambeense César Bonilha, 38 anos, faturava a etapa de Londrina do Trofeo Linea.
O lugar mais alto do pódio era o desfecho de uma história interessante. Cesinha, piloto e preparador já experimentado em campeonatos regionais, fora convidado de última hora para assumir a posição de um piloto que não poderia correr devido a uma tendinite. Aceitou, mesmo sabendo que não tinha os R$ 10 mil que teria de pagar para correr. Uma ''vaquinha'' dos amigos resolveu o problema da grana e ele foi para a pista. Venceu a primeira bateria. Na segunda, foi tocado e não completou, mas uma combinação de resultados possibilitou com que Bonilha fosse o vencedor da etapa, superando nomes do alto escalão do automobilismo brasileiro, como Giuliano Losacco, Alceu Feldmann, Ricardo Maurício e Cacá Bueno. Neste meio tempo, Cacá teria dito, sobre Bonilha, que não perderia para um mecânico, jogando ainda mais luz na vitória do moço de Cambé.
Dali em diante, ele ganhou novas chances na categoria, estando sempre entre os primeiros. Passou a pleitear a oportunidade de ter uma equipe na Linea. O retorno de mídia que a história de Bonilha em Londrina havia rendido para a categoria da Fiat que é apadrinhada por Felipe Massa deu-lhe a chance de conseguir o que queria. Foi atrás de sócios e parceiros para montar a equipe, pagando em torno de R$ 175 mil em cada um dos dois carros que a montadora italiana já entrega praticamente prontos para correr.
Nas duas primeiras etapas de 2011, São Paulo e Brasília, Cesinha teve problemas e não pontuou. Na capital federal chegou a bater. O carro passa por reparos. Problema nenhum para ele que é acostumado a passar por cima de desafios. Ainda mais se considerarmos que a próxima etapa é justamente a de Londrina, nos dias 16 e 17 de julho. Um bom resultado pode colocá-lo na briga pelo título, já que o equilíbrio é a marca registrada do campeonato. Certamente, no Ayrton Senna, os olhos estarão voltados para o carro 99.
Os carros da Linea contam com o motor 1.4l T-Jet, que chegam a 215 cavalos e velocidade máxima de aproximadamente 220 km/h, com câmbio sequencial de seis marchas e consumo de um litro de álcool para cada quilômetro rodado. São 26 carros e vários pilotos da Stock Car no grid. O desempenho do carro, Bonilha, que continua fazendo as vezes de preparador, considera muito bom para um monobloco.
Filho de agricultores, ele está no mundo dos motores desde os 13 anos, quando começou a pilotar motos. Mais tarde, passou para os automóveis, preparando e pilotando. Em sua oficina, na Avenida Henrique Mansano, em Londrina, mantém sete gols e quatro protótipos. Esses carros ele prepara e aluga para aqueles que querem competir no Campeonato de Marcas (regional) ou no brasileiro de Spider Race. É daí que vem o sustento enquanto a equipe na Linea não dá lucro. Orgulhosamente, continua mecânico, sim. Mas sabe que tem bala na agulha para andar rápido.
''Sei que estarão de olho em mim. Vou fazer de tudo para vencer e entrar no campeonato'', ele promete em um dos ambientes que mais gosta, a sua oficina.


