Na moto ou no carro, elas mandam (e bem!)
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sábado, 08 de outubro de 2005
Mauricio Della Barba 
Mulheres ao volante, há tempos, não é novidade. Porém, mulheres que trabalham como motoristas profissionais, isso já é raro. Em Londrina, poucas se atrevem a arriscar a vida no trânsito e deixar a família em casa em troco de um salário digno, ganho quilômetro a quilômetro rodado.
''O preconceito dos colegas é maior do que o de clientes. Mas isso já não incomoda mais'', afirma Helena Maria de Moraes Silva, a taxista mais antiga de Londrina. Helena, que há seis anos trabalha na profissão, conta que no começo, a aceitação dela no ponto em que trabalhava foi difícil. ''Ficavam todos olhando eu estacionar, sorrindo e não me ajudavam'', lembra.
Em casa, a escolha também não foi muito bem aceita. ''Meu pai, que é policial, dizia que não era serviço para mulher, que era muito arriscado, perigoso'', lembra Helena, que já passou por apuros e diz não temer os riscos da profissão. ''A gente fica esperta, não faz corrida a lugares estranhos, perigosos'', conta Helena, que já foi assaltada quatro vezes. Em uma deles, teve que se jogar do carro para escapar do ladrão, que terminou se acidentando contra um poste.
No trânsito, Helena se considera tranquila e atenta. Durante o tempo que trabalha como taxista, ela se envolveu apenas em dois acidentes. ''E nas duas vezes, bateram em mim'', conta. Já quando se fala em mecânica, Helena é bem feminina: ''Disso eu não entendo. Eu nunca fiquei na mão, mas se isso acontecer, chamo o seguro e o mecânico faz o que tem que ser feito'', diz.
Após seis anos, o preconceito é raro e as vantagens, muitas. ''Eu gosto disso, eu amo meu trabalho. Não troco este serviço por outro não'', afirma Helena, ao contar algumas histórias divertidas e emocionantes. ''Ganho meu dinheiro honestamente, não fico estressada e tenho a liberdade de horários. Além disso, eu já fiz vários amigos e amigas aqui'', revela.
Outra mulher forte ao volante é Alzira de Fátima Silva, que trocou a poltrona da central de rádiotáxi por um banco de automóvel há um ano e meio. No volante de uma Ipanema, o qual reveza com seu marido (também taxista), dia sim, dia não, Fátima consegue conciliar, sem problemas, o serviço com o de dona-de-casa e mãe de dois filhos. ''Toda segunda-feira é dia de colocar a casa em ordem. Fico em casa e deixo tudo pronto para enfrentar a semana'', diz.
No dia-a-dia, Fátima acorda às 3 horas da madrugada para iniciar a corrida e fica até às 20 horas. ''É o período de mais movimento e mais seguro para se trabalhar'', afirma a taxista.
Sobre o preconceito, Fátima confirma a avaliação feita pela colega Helena. ''O cliente, às vezes, assusta com uma mulher no volante. Mas depois, não se incomoda. Clientes mulheres gostam de ver a gente no volante, e isso, acho eu, provoca um certo ciúme nos outros taxistas'', explica Fátima.
O risco de assalto também não bota medo em Fátima, que diz ter receio e evita pensar muito sobre o problema. ''Eu oro muito e peço proteção. Mas no horário em que trabalho é tranquilo e não há muito perigo'', diz.
Sobre duas rodas, Marta Maria de Oliveira, é craque. Faz inúmeras viagens pela cidade, sem medo de preconceito ou assalto. ''A gente precisa trabalhar, oras. É o meu sustento e dependo disso para viver. Não posso ter medo ou receio'', declara a mototaxista a bordo de sua Titan. Há três meses no serviço, Marta conta que não liga para o preconceito.
''Quando eu chego para pegar o cliente e ele vê que é uma mulher, se assusta, fica sem jeito. A maioria pensa que mulher não sabe dirigir direito e tem medo'', confessa a mototaxista. Porém, quando o cliente é também uma mulher, a reação é contrária. ''As mulheres ficam mais a vontade, podem se segurar melhor. Tenho muitas clientes que ligam e só querem que eu as atenda'', conta.
Sobre o assédio e os passageiros ''espertinhos'', Marta é direta. ''Alguns tentam abraçar e eu já digo para segurar no banco. Não dou liberdade, enquadro o cidadão, e ele passa a me respeitar'', diz.


