CABO DE GUERRA
Na hora de comprar pneus, não
entre em campo minado: pesquise
A concorrência entre os importados e nacionais coloca no mercado produtos com preços e qualidade similares.Barato, caro, resistente, frágil, leve ou pesado. Quando o assunto é troca de pneus há muito o que se pesquisar e, mais do que isso, é preciso se enveredar por um campo minado chamado indústria de pneus. Não é tarefa fácil escolher entre pneu novo nacional, importado, recauchutado ou remoldado, sem nas opções de modelo.
Cada um, é claro, apresenta suas vantagens e desvantagens. No entanto, é preciso ter olho de lince para encontrar em meio a tanta oferta, o produto que se enquadra perfeitamente às preferências e, acima de tudo, ao bolso.
Pneu novo virou sinônimo de artigo caro, recauchutado ganhou ares de algo barato e de má qualidade e o remoldado estrelou no mercado brasileiro como o que poderia haver de melhor e mais barato para o consumidor. No entanto, em meio a tudo isso foram sendo estimulados fatores como concorrência e investimento em tecnologia.
O Brasil se encontra entre os 10 principais produtores do mundo, com uma média anual de 33 milhões de pneus colocados anualmente no mercado. Deste total, 30% são destinados à exportação, sendo os Estados Unidos, nossos principais clientes.
João Jabur, proprietário da empresa Jabur Importadora de Pneus, com sede em Londrina (PR), observa que a importação de pneus foi inevitável em função da péssima qualidade do produto nacional. ‘‘Infelizmente, temos que admitir que nossa indústria é sucateada e o pneu nacional não tem como competir no mercado externo’’, garante Jabur.
Em meio a informações tão contraditórias, Francisco Simeão, proprietário da BS Colway, importadora de pneus em Curitiba, pondera que há cinco anos, em função da pouca concorrência com produtos importados, a indústria nacional fabricava um modelo de pneu menos resistente para o mercado brasileiro, que rodava em média 25 mil quilômetros. ‘‘Com a entrada do pneu importado, a indústria nacional representada pela Goodyear, Firestone, Michelin e Pirelli, partiu para o investimento em alta tecnologia e produção de pneus de altíssima qualidade para o mercado interno e externo’’, frisa Simeão.
ImportaçãoEmbora empresas como a Jabur tenham encontrado na produção externa (a empresa traz pneus Kumho, da Coréia), produtos de alta qualidade a preços competitivos com o mercado de pneus novos nacional, Celso Dalla, presidente do Sindicato da Indústria de Artefatos de Borracha do Estado do Paraná, ressalta que, devido à desvalorização cambial o mercado de importação de produtos novos foi extremamente abalado abrindo novas perspectivas de crescimento para a produção nacional.
‘‘A Continental (fábrica de pneus alemã), por exemplo, já está se instalando em Ponta Grossa. Mas as perspectivas de crescimento não permeiam apenas o campo da produção industrial. Apostamos no desenvolvimento de todo o setor, incluindo reparadores e recauchutadores de pneus’’, prevê Dalla.

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