Ladrões aterrorizam a vida de motoristas e passageiros de ônibus que passam pela PR-317 - importante corredor de ligação com a região de Cascavel e Foz do Iguaçu. Bandidos estão assaltando, em média, um ônibus a cada dez dias na rodovia estadual. Foram quatro roubos desde 29 de março, o último deles na madrugada de sexta-feira.
O modo de agir dos ladrões é sempre o mesmo, abordando os ônibus em pontos onde a velocidade é mais baixa e, se necessário, atirando. Dois assaltos aconteceram exatamente no mesmo ponto, no trevo que dá acesso ao município de Terra Boa, no km 156 da PR, que é pedagiada. Apesar disso, o comandante da 4 Companhia de Polícia Rodoviária, capitão Ademar Paschoal, não acredita que apenas uma quadrilha esteja agindo na região. ''Devem ser, no mínimo, duas'', ele diz.
Na área da 4 Companhia estão aproximadamente três mil quilômetros de rodovias, algumas de grande movimento, como a PR-323, que leva a Cianorte, Umuarama e Guaíra. Paschoal não revela o efetivo que têm à disposição para coibir os roubos, fiscalizar infrações de trânsito e agir contra contrabandistas que usam as estradas para escoar drogas do Paraguai para diversas regiões do Brasil e do Paraná. Contudo, em reportagem publicada em 24 de abril, a FOLHA revela que são aproximadamente mil homens em todo o Batalhão de Polícia Rodoviária do Paraná, os quais estão divididos em seis companhias.
Na entrevista a seguir, Paschoal fala sobre o trabalho nas estradas e promete prender os criminosos.
Em relação aos assaltos a ônibus que estão acontecendo na PR-317; Por que vocês não conseguem interferir na ação desses bandidos?
É uma briga de gato e rato. Eles têm tudo a favor. Veja só: eu tenha uma viatura especializada para esse tipo de ação, que é a da Rotam (Rondas Ostensivas Tático Móvel). No último roubo, ela ficou das 18h até as 3h30 da madrugada do dia seguinte naquele local, até que aconteceu uma situação grave e ela foi dar um apoio. Quarenta minutos depois aconteceu o roubo, exatamente onde a nossa viatura estava. O trabalho de apreensão da quadrilha tem que ser velado, à paisana. Temos equipes trabalhando nisso e acredito que em breve teremos boas notícias. Vamos pegá-los.
É uma quadrilha só?
Não. Quando acontece um crime desse há a publicidade do fato. Isso acaba motivando outros bandidos, pois é divulgado que teve um roubo a um ônibus e os ladrões levaram determinada quantia em dinheiro. Deve ter no mínimo duas ou três quadrilhas na área.
Em relação ao tráfego, o senhor considera as PRs 317 e 323 estagnadas?
É complicado entrar nesse aspecto. Recentemente, na PR-317, foram feitas várias melhorias, como a tereceira faixa em alguns pontos e a duplicação de um trecho pela concessionária. Porém, quando houve a duplicação aumentou em 20% os acidentes na rodovia porque os motoristas aumentaram a velocidade. Não podemos olhar o trânsito do simples ponto de vista de engenharia. Mesmo que duplicássemos a PR-323 não acabaríamos com os acidentes graves que nela acontecem.
O efetivo que o senhor tem à disposição é suficiente?
Não estou autorizado a falar sobre efetivo. Trabalhamos em escalas. Temos mapeados todos os acidentes, as ocorrências, atuamos baseados nisso; de forma inteligente para otimizar a nossa tropa. Divulgando números, a marginalidade consegue saber quantos homens tenho a cada km da rodovia. Com os dados, o bandido facilmente consegue delimitar onde estão as viaturas, facilitando para o contrabando, descaminho, roubo.

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