Mulheres no foco das montadoras
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sábado, 03 de novembro de 2001
Ellen Taborda<Br>De Curitiba 
As indústrias automobilísticas estão preocupadas em descobrir quais são os principais interesses da mulher na hora de adquirir um carro. E não é à-toa. Desde 1997, elas são responsáveis por 37% dos automóveis vendidos no Brasil todos os anos.
A participação da mulher no mercado automobilístico dobrou nos últimos 20 anos. Em 1980, ela representava uma fatia de 18% das vendas. Além da aquisição direta, estima-se que ela tenha influência sobre cerca de 35% das compras feitas pelas famílias. Sendo assim, 72% das vendas seriam resultado das escolhas feitas por mulheres. Ela também são as compradoras de 40% dos carros populares no Brasil. Pensando nisso, montadoras chegam a reunir potenciais clientes para saber o que elas procuram quando querem adquirir um veículo.
Luiz Muraca, gerente de Estratégia de Marketing da Volkswagen empresa que promoveu essa semana junto com a Audi encontro com jornalistas para falar da importância da mulher no mercado automotivo , conta que as reuniões com os clientes potenciais servem para definir que itens devem ter uma maior intenção na hora de projetar um modelo. ''As mulheres procuram mais segurança e praticidade, enquanto os homens se interessam mais pela estética e a performance do veículo, ou seja, o que lhe confere mais status. Enfim, na compra a mulher é racional e o homem, emocional.''
A vendedora Sylvia Cristina Degasperi Kuhlmann é um exemplo de mulher que compra carro pela razão e não pela emoção. E ela se especializou nisso depois de uma compra um tanto quanto frustrada. ''Tinha um Vectra que foi uma decepção. O carro gastava muito e não era tão confortável quanto eu pensava. Eu meu sonho de consumo e por isso não procurei me informar melhor sobre ele. Fiquei arrependida.''
Por conta disso, ela agora comprou um Golf checando os mínimos detalhes possíveis. ''Desde a potência, passando pelos itens de conforto e segurança, ao consumo, tudo foi checado antes. Por isso estou satifeita com o carro''.
Entre os itens procurados pelas mulheres estão direção hidráulica, freios eficientes, travas para crianças, espelho no pára-sol, porta objetos, regulador de bancos e revestimentos macios. Os homens querem rodas de liga leve, aerofólios, pneus mais largos, mais potência e velocidade, vidros verdes escurecidos e ponteira de escape cromada. Tanto homens como mulheres também procuram estilo, ar-condicionado, trio elétrico e desembaçador traseiro.
O que as mulheres não querem, segundo Luiz Muraca, são carros feitos especificamente para elas. Em 1984, a Volkswagen lançou o Fusca Lady. O carro era cor-de-rosa e tinha vários locais para guardar objetos. ''Mas o modelo não deu certo. Elas tinham receio de comprar porque ele ficou estigmatizado como sendo carro de mulher. Para quem elas iriam revender mais tarde? Só para outra mulher.''
Ele afirmou que as mulheres também não querem ser tratadas de modo diferente. ''Elas acreditam que funcionalidade, conforto, segurança e bem estar devem ser dirigidos tanto a homens quanto mulheres.'' Para as mulheres, o visual do carro tem que ser básico, sem muitos acessórios, como aerofólio, que o identifiquem como ''masculino.''
As mulheres também são as maiores compradoras de carros com pinturas externas mais fortes, como o vermelho alaranjado. De acordo com a estilista da Volkswagen, Cristina Belatto, os homens preferem pinturas que não chamem tanto a atenção. ''Outro motivo para evitar as cores diferentes, lançadas geralmente em um determinado ano, é que os carros ficam datados e podem ter os valores deprecidados.''


