Mulheres conduzem um trânsito mais seguro
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sábado, 08 de março de 2014
Cecília França<br> Reportagem Local 
A empresária londrinense Danielle Zanin, 33 anos, acaba de passar no teste prático da autoescola e espera para receber a carteira de habilitação nos próximos dias. Foi a terceira tentativa de passar no exame e ela já havia pensado em desistir. No entanto, com os afazeres que sua loja impõe e a gravidez, surgiu a necessidade de se deslocar com mais facilidade. Danielle conta que o medo de dirigir sempre foi seu principal empecilho.
"Tentei fazer aula em uma autoescola que não me deu segurança e não deu certo; depois, quando mudei, fiz várias aulas extras e a instrutora era tranquila, me deu segurança", relata. Na opinião de Danielle, o fato de a instrutora também ser mulher facilitou o processo, porque gerou uma intimidade maior. Segundo ela, foi a necessidade que a fez insistir no processo de habilitação.
"Cheguei a achar que não ia mais dar conta", revela. Pelo pouco que já pôde vivenciar do trânsito como passageira e como aluna, Danielle acredita que a impaciência seja o grande mal nos dias de hoje. "A falta de paciência assusta um pouco, mesmo sendo carro de autoescola o pessoal buzina", afirma.
Como Danielle, muitas mulheres adiam o processo de habilitação ou evitam dirigir por medo. Para a diretora de ensino para veículos grandes da Paraná Autoescola, Ângela Maria Fudolli, "por ser mais medrosa, a mulher também é mais cuidadosa". Ângela foi instrutora de rua por dez anos e, em sua opinião, o instinto materno molda as características da mulher no trânsito.
"Somos sempre mais preocupadas em não machucar alguém", afirma. Ângela acredita que a forma de criação que se dá às mulheres explique sua postura. "A gente cria a mulher para cuidar da casa. Quando ela aprende a dirigir é mais por praticidade, enquanto o rapaz quer dirigir para mostrar para os amigos", compara.
Mas a diretora de ensino é taxativa quando questionada sobre quem dirige melhor, homem ou mulher. "A mulher, claro." Para ela, o excesso de confiança dos homens acaba se tornando irresponsabilidade. "Por isso é raro ver acidentes graves envolvendo mulher na direção, normalmente são apenas 'raspões'", exemplifica.
Alerta
O diretor de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Major Arnaldo Sebastião, concorda com as opiniões de que a mulher seja mais cautelosa no trânsito e acredita que essa cautela se transforme, às vezes, em insegurança. No entanto, os benefícios são maiores na opinião de Sebastião, já que as mulheres se envolvem menos em acidentes.
"A ciência explica: o homem está sempre focado em apenas uma coisa, já a mulher tem visão periférica, consegue cozinhar e cuidar do filho ao mesmo tempo, o que é um ponto positivo no trânsito", compara.
Mas um fato recente vem chamando a atenção das autoridades de trânsito: o aumento no índice de acidentes envolvendo mulheres motociclistas. Isso preocupa, especialmente pela fragilidade do corpo feminino. "Só de uma moto cair na perna de uma mulher já machuca muito, por isso é um alerta que temos feito", finaliza Sebastião.
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