Outro ângulo que mostra o quanto as novas motoristas estão mais seguras pode ser visto pela porcentagem inexpressiva de meninas que buscam ajuda para o medo de dirigir em relação a mulheres de mais de 30 anos. As novatas representam 10% das pacientes que recorrem ao Centro de Psicologia Especializado em Medo – CPEM, em Curitiba. ‘‘Mulheres entre 30 e 45 anos representam 80% das pacientes. Os outros 10% são de mulheres acima de 45 anos’’, afirma a psicóloga Neuza Corassa, 42 anos, uma das fundadoras do CPEM.
O medo de dirigir é o principal foco de atendimento no centro, com 60% dos casos. Deste total, 90% são mulheres. ‘‘Os homens, além de assumirem menos o problema, geralmente não precisam mesmo de ajuda porque são melhor preparados’’, avalia a psicóloga.
Neuza estuda o tema há dez anos e publicou até um livro – ‘‘Vença o medo de dirigir’’. Como superar-se e conduzir o volante da própria vida –, no qual separa um capítulo para o medo das mulheres.
Ela explica que a fobia das motoristas mais maduras têm a ver mesmo com a questão cultural. ‘‘Não estava previsto para as mulheres que hoje têm mais de 30 anos que precisariam dirigir para acompanhar o ritmo da vida moderna.’’
Neuza cita uma questão interessante. O perfil das pacientes mostra pessoas de bom nível social e cultural, que estão muitas vezes em altos cargos profissionais nas empresas e muito responsáveis. ‘‘Ou seja, elas são extremamente capazes em suas vidas, mas não conseguem dominar um carro’’, explica, enfatizando que de cada dez pacientes, oito têm carro e habilitação.
De acordo com a profissional, 90% das pacientes se recuperam em média em quatro meses de terapia. O tratamento é dividido em quatro partes, nas quais a paciente aprende sobre ansiedade, medo, relaxamento e até se recicla com novas aulas de direção.

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