A mais comentada exposição que o Guggenheim Museum está apresentando em Nova York tem levado ao museu muita gente de pele curtida pelo sol das estradas, macacão de couro, botas de solado forte e um leve perfume de graxa. Esse público diferente do que costuma visitar o museu é atraído pela retrospectiva ‘‘The Art of the Motorcycle’’, mostra de 110 modelos do veículo que se tornou um dos grandes ícones do século 20.
Símbolo de liberdade sobre duas rodas e arquétipo da rebeldia em dois clássicos do cinema, ‘‘O Selvagem’’ e ‘‘Sem Destino’’, a motocicleta ganhou status de obra de arte na exposição que revê seus 130 anos de história, acompanhando sua evolução em tecnologia e design. ‘‘A motocicleta corporifica tantos temas deste século como tecnologia, velocidade, rebeldia, transformação, que é o veículo ideal para essa exploração’’, diz Thomas Krens, diretor da Solomon R. Guggenheim Foundation e organizador da mostra.
Para as duas seções da mostra, com modelos dos anos 60 e 90, o arquiteto Frank Gehry instalou as motos em uma pista ondulada de borracha. Numa das paredes da primeira exposição, há a fotografia de Marlon Brando em ‘‘O Selvagem’’, filme de 1953; na outra, a imagem é a de Arnold Schwarzenegger em ‘‘O Exterminador do Futuro’’, de 1984.
‘‘A Motocicleta no Cinema’’ é tema de série de filmes e vídeos que o Guggenheim vai exibir paralelamente à mostra.
Organizada cronologicamente, ‘‘The Art of the Motorcycle’’ tem desde os mais antigos modelos de motos, fabricados ainda no século passado, até máquinas produzidas este ano. Na entrada do museu estão uma Michaux-Perreau, de 1868, e uma MV Agusta F4 de 750 cilindradas, fabricada este ano. A primeira é apenas um velocípede francês a vapor, que chegava à fantástica velocidade de 30 quilômetros por hora. A outra, produzida pela italiana Cagiva Motors e propriedade do rei Juan Carlos, da Espanha, é a mais moderna das motocicletas da exposição e pode chegar a mais de 280 quilômetros por hora.
Um dos maiores destques da exposição é a BMW R32, primeira motocicleta produzida pela empresa. Lançado em 1923, o modelo foi desenhado por Max Friz, chefe do departamento de engenharia da BMW na época, e contava com motor boxer transversal de dois cilindros e 8,5cv de potência. Atingia os 90 km/h de velocidade máxima, uma marca elevada para os padrões daquele tempo. A R32 foi produzida até 1926 e teve cerca de 3 mil unidades comercializadas.
Na primeira galeria, a seção ‘‘Inventing the Motorcycle’’ tem protótipos de máquinas produzidas entre 1868 e 1900. Ali está a primeira máquina a ser chamada realmente de motorrad (motocicleta), uma Hildebrand & Wolfmuller de 1.489 cilindradas. Em 1894, ela foi a primeira no mundo a ser produzida em série, em Munique, e permitia a velocidade máxima de 48 quilômetros por hora.
Estética A história do desenvolvimento da motocicleta é retratada em períodos. ‘‘The Machine Age’’, delimitada entre 1922 e 1929, mostra o sucesso da estética da máquina na cultura moderna. ‘‘New World Orders’’, com motos fabricadas entre 1930 e 1944, exibe modelos usados na guerra. Na parte intitulada ‘‘Freedom and Postwar Mobility’’, com peças feitas entre 1946 e 1958, as motos são vistas como instrumentos para fugir do anonimato trazido pelo pós-guerra. Nas seções seguintes, definidas pelos subtemas ‘‘Popular Culture/Countercultur’’ e (1960-1969), ‘‘Getting Away From It All’’ (1969-1978), ‘‘The Consumer Years’’ (1982-1989) e ‘‘Retro/Revolutionary’’ (1993-1998), as máquinas espelham as mudanças sociais e econômicas das últimas quatro décadas. A mostra, aberta até 20 de setembro, será exibida entre novembro e março no ‘‘Field Museum of Natural History’’, em Chicago.

mockup