Motos premium são aposta das marcas
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de maio de 2015
Marcos Martins<br> Especial para a FOLHA 
Com a economia brasileira passando sufoco, o comércio precisa se desdobrar para atrair clientes. Se os carros estão mais caros, alguns apostam em saídas alternativas, como as motocicletas. Baseado nos números da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas caíram 13,13% entre março deste ano. Foram 124.502 unidades emplacas no terceiro mês de 2015 e 108.158 no quarto em todo o País. Se a comparação for feita entre abril de 2014 e abril deste ano, houve queda de 11,17% nas vendas.
Ainda segundo a Fenabrave, nos quatro primeiros meses de 2014 foram comercializadas 487.137 motos, enquanto que no mesmo período deste ano foram vendidas 435.094 unidades, queda de 11%. Hoje as motos representam 31,7% do total de veículos vendidos no Brasil, conforme dados da federação.
A Honda CG 150 segue liderando com folga a lista dos modelos mais vendidos: são 286.790 vendas registradas, segundo informações da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).
De acordo com o consultor de vendas da Honda, Celso Gomes, a tendência é que o consumidor volte aos poucos. "A primeira reação em um momento de turbulência é apertar os cintos e adiar as compras. Conforme o mercado vai se reorganizando, as pessoas vão se adaptando e voltando a negociar", explica. O perfil do consumidor também sofre alterações. "Ele definitivamente não compra por impulso em um momento como esse. Negocia bastante, vai olhar as ofertas dos concorrentes, pede desconto e vantagens e prefere comprar à vista", conta.
Na outra líder de vendas do setor no País, a Yamaha com 36.203 unidades comercializadas em 2015 - o cenário é semelhante. "O consumidor de motos populares encontra mais dificuldades, principalmente por causa da área de crédito. Muitos preferem comprar à vista, negociando descontos e às vezes desiste do negócio. Já o de modelos mais caros, como a TMax ou a YZF-R1, também negocia bastante mas continua comprando", analisa o consultor de vendas Renato Nunes.
O segmento de motocicletas premium é a grande aposta das marcas. "A compra de modelos com alta cilindrada é definida mais pela emoção do que pela razão, é a realização de um sonho, por isso sobrevive à momentos de crise", analisa Gomes. Em 2014, esses modelos atingiram 3,9% do total do varejo nacional, com mais de 56 mil unidades emplacadas, conforme números do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Para se ter ideia, o número de exemplares comercializados em 2009 foi de 34 mil. Em relação a 2013, o crescimento foi de 10,2%, quando 50.984 motos da categoria foram vendidas. "Esse é um cliente cujo poder aquisitivo é maior. Embora seja uma época de crise, muitos fazem questão de investir produtos mais caros", observa Nunes.


