Os artigos que ''liberam'' o motorista das multas mesmo cometendo a infração, porque fiscalização seria inviável, são tão estranhos que mesmo quem trabalha diariamente no trânsito em muitos casos nunca ouviu falar deles. Boa parte dos taxistas ouvidos pela reportagem da Folha até se espantaram quando questionados sobre tais artigos.
''Nunca imaginei que não parar numa linha férrea era infração. Como a gente ía saber disso?'', pergunta o taxista João Klein, que há 16 anos trabalha na profissão.
Para ele, alguns artigos realmente não se aplicam, pois o trânsito ficaria impraticável. ''Como vou guardar a distância de um ciclista nas ruas que são estreias. A gente passa colado neles e em outros carros porque não há outra opção''.
Para o taxista Alceu Furquin, 28 anos de profissão, alguns artigos do Código de Trânsito ''não têm fundamento nenhum''. ''Se você for cumprir a lei e parar na hora de cruzar uma linha de trem, os carros atrás vão se enfileirando um atrás do outro na batida. Ainda bem que os guardas não multam caso assim, porque seria um caos''.
Já o taxita José Bastista Santos, 16 anos de volante, disse que sabia de alguns dos artigos ''absurdos'', mas que não respeita por achar mesmo que não há como fiscalizar. ''A gente toma cuidado quando a questão tem a ver com a segurança, mas sabemos que é impossíveil respeitar tais artigos.'' (E.C.R)

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