Motorista negligente gasta mais com revisão
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domingo, 16 de novembro de 2014
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
A negligência do motorista com o conjunto de polias, tensores e correias pode ocasionar a perda total do motor. A saída para evitar o problema pode ser a revisão periódica e a manutenção preventiva do sistema, que podem gerar economia de até R$ 5 mil ao proprietário do carro.
Conforme o professor Eraldo Leite, do curso de Mecânica Automotiva do Senai de Londrina, polias, correias e tensores são elementos de transmissão de força (rotação). Quando instalados nos motores, transmitem as rotações do virabrequim para as demais áreas do motor, como comando de válvulas, por exemplo, e também transmitem rotações para os acessórios do motor, como alternador, bomba dágua, entre outros.
Leite explica que as correias são os elementos responsáveis pela ligação entre as polias, enquanto os tensores, como o próprio nome diz, determinam a tensão constante, controlada e correta nas correias, garantindo que a correia permaneça em contato constante com o sistema de polias.
De acordo com o professor, no caso de motores que utilizam a correia dentada para sincronismo, é ela que faz a ligação e mantém o sincronismo entre o virabrequim e o comando de válvulas. "Além disso, o motor tem diversos acessórios agregados a ele e são as correias as responsáveis por fazer a ligação entre a polia do virabrequim e esses acessórios", completa Leite.
Segundo Geraldo Coelho Neto, gerente de engenharia da Metalúrgica ZEN, maior fabricante mundial de impulsores de partida, polias, tensores e correias são componentes de desgaste, que precisam de revisões periódicas. A polia, por exemplo, possui uma vida útil de quatro a cinco anos ou cerca de 60 mil quilômetros.
Coelho Neto cita que excesso de vibração em marcha lenta, problemas na parte elétrica do veículo e o famoso "miado de gato" são sinais de desgaste. Se o motorista ignorar os sinais, a polia pode travar completamente, fazendo com que o alternador perca sua função e, consequentemente, não carregue mais a bateria, complementa o gerente.
De acordo com ele, a vida útil dos tensores e correias também varia de 50 mil a 60 mil quilômetros. A partir desse período, o desgaste das peças começa a causar vibração, ruído e falhas no sistema da correia de acessórios do motor, que faz o acionamento da direção hidráulica, do ar-condicionado, da bomba dágua, entre outros sistemas do veículo. "Esses itens garantem o conforto e o correto funcionamento do motor. Se a substituição não for realizada, a correia pode arrebentar e o motor, parar de funcionar. O ideal é trocar correias e tensores de uma só vez. Assim, o desgaste de um não compromete o funcionamento do outro", orienta Coelho Neto.
O professor do Senai, Eraldo Leite, reforça que a falta de manutenção adequada destes componentes pode expor o motor a diversas situações, como o não funcionamento do veículo, barulhos anormais no motor durante o funcionamento, superaquecimento do motor, atropelamento de válvulas do cabeçote, entre outros. "É um problema tão sério que até foi criada uma normativa exclusiva referente à manutenção destes componentes", informa Leite.
O gerente de engenharia da Metalúrgica ZEN, Geraldo Coelho Neto, sugere revisões anuais no veículo e alerta que colocar o carro constantemente em contato com terra, areia, pó ou água pode reduzir a durabilidade das peças, acelerando o desgaste de todo o sistema. Caso seja inevitável, deve-se aumentar a frequência das revisões periódicas do veículo.
Outra prática que deve ser evitada é a lavagem do motor, para reduzir o risco de contaminação de componentes internos e seus acessórios, acrescenta o gerente.
Ele reforça a importância da revisão periódica e da manutenção preventiva com o argumento financeiro: "A revisão do veículo custa, em média, R$ 500, enquanto a retífica do motor, até dez vezes mais. Além da economia, o motorista evita outras dores de cabeça, como ficar parado na rua ou deixar o carro mais tempo na oficina", finaliza.


