A inspeção veicular será periódica e obrigatória e deverá custar entre US$ 50 a US$ 80 para o proprietárioTer o carro bem conservado e com tudo em ordem, em breve, será obrigação de todo motorista. A inspeção veicular, prevista no novo Código de Trânsito para todos os veículos, já está sendo discutida e definida pelo Contran - Conselho Nacional de Trânsito - e será ele que decidirá se um carro tem ou não condições de circulação.
Dependendo de como será efetuada, algumas medidas poderão trazer transtornos e maiores despesas aos proprietários, como a separação da inspeção em duas etapas e locais diferentes e quanto ao perfil das empresas que poderão fazer a inspeção, e que pode comprometer a confiabilidade do sistema.
Com essa preocupação é que a CNT - Confederação Brasileira de Transportes - que detém a maior frota agregada do País, ou 11% do total de 25 milhões de veículos, realizou na semana passada um debate sobre a Inspeção Veicular no Brasil. Na próxima quinta-feira, haverá no Ministério da Justiça, em Brasília, uma audiência pública onde diversos setores irão apresentar propostas para definir como será realizada a inspeção veicular brasileira.
O secretário Geral da CITA (Comitê Internacional de Inspeção Técnica Automobilística), Claude Brognet, veio especialmente para mostrar como a inspeção veicular é adotada em alguns países da Europa, como na Alemanha, Bélgica, Suécia, Espanha, França, Itália, entre outros. Na maioria destes países, a inspeção periódica e obrigatória se mostrou eficaz para manter a frota de veículos conservada e apta ao trânsito. O resultado obtido foi a diminuição de acidentes e a melhoria da qualidade do ar. As inspeções são realizadas por empresas privadas, confiáveis, e sempre com a supervisão do Governo.
No Brasil, o diretor Geral do Denatran, José Roberto de Souza Dias, esclareceu que a cada cinco carros que circulam no Brasil, três apresentam problemas nos pneus e quatro na iluminação. Outro dado divulgado foi que o Governo gastou cerca de US$ 5 milhões com acidentes automobilísticos no ano passado.
O vice-presidente da CNT, Thiers Fattori Costa, salientou a importância da inspeção, devendo ela ser confiável e rigorosa. Para isso a CNT elaborou um documento que traz certas sugestões para a inspeção no Brasil. A instalação das empresas que farão a inspeção em locais que permitam concorrência, evitando a formação de monopólios é uma das exigências da entidade. Para garantir a confiabilidade e evitar que um veículo reprovado em uma linha de inspeção tente passar em outra, os sistemas deverãos ser ligados por um computador central. As empresas credenciadas para a inspeção deverão ter capacidade tecnológica e estar submetidas aos controles do Estado.
Quanto à periodicidade da inspeção, deverá ser fixada de acordo com o risco e as condições do veículo, que incluem dados como o tipo de transporte (de pessoas, de cargas perigosas), o número de quilômetros percorridos e mesmo a qualidade de conservação das estradas. A inspeção também deverá ser realizada para todo veículo acidentado e na troca de proprietário. O preço de cada inspeção será na faixa de US$ 50 a US$ 80. Outra exigência é que a inspeção de segurança, a de gases e a de ruído sejam feitas no mesmo lugar, o que seria mais econômico e racional.

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