Motorista curitibano
Em todas as cidades do mundo, o povo sempre reclama que o motorista local é o pior do mundo. Curitiba, também, não é exceção.
Entre os tipos com péssimos hábitos, destacam-se:
* O Sem Sinal. A especialidade deste é de chegar a um cruzamento, na faixa da direita, e esperar a sinal abrir neste instante, e para o deleite de meia dúzia de motoristas que se posicionaram atrás do Sem Sinal, ele (ou ela) indica uma conversão à esquerda, e fica plantado até o fim do sinal verde. Num dia de azar, a posição dele é prontamente ocupada por outro Sem Sinal e repete-se o processo.
* O Piá de Bosta Iluminado. Este é especialista em ocupar as rodovias nos fins de semana. Coloca cinco faróis adicionais no carro (que pode ser qualquer 1.0 da vida) e teima em andar a mais de 120kph colado a dois metros da sua traseira, com todos as luzes direcionadas para seu espelho retrovisor. Andam sempre em bandos, sempre com a mesma distância de dois metros entre os carros.
* O Sem IPVA - ou SIPVA. Em alguns anos este grupo será maioria na frota circulante - pelo menos nos finais de semana. O último registro do IPVA é datado de 1994, a carroceria tem mais resina que metal e, como o SIVA também é um Sem Freio ou um Sem Amortecedor o risco de bater é grande. O Estado do Paraná e a Capital devem estar tão ricos que estão desprezando os impostos não pagos por esta parte considerável da frota.
Mas o tipo de mau motorista que é, hour concours, o pior é o Motorista Embriagado. Este age mais à noite, principalmente nas noites e madrugadas de quinta, sexta e sábado.
Um estudo de 1999 (ABDETRAN) sobre vítimas nas cidades de Brasília, Curitiba, Recife e Salvador revela a dimensão do problema. Neste estudo, durante sete dias (sem nenhum feriado) foram examinadas 1.114 vítimas de acidentes de trânsito. A concentração de certos tipos de acidentes nas madrugadas de sábados e domingos reflete o comportamento dos embriagados:
Tipo de Acidente - % do total de madrugada
Colisões - - - - 42
Choque com objeto - - - 26
Capotamento - - - - 9
Atropelamento - - - 15
Os valores de presença de álcool no sangue de todas as vítimas mostraram que 61% das vítimas tinham indícios de alcoolemia:
* 33,8% tinham entre 0,10 - 0,59 g/l de álcool no sangue.
* 27,2% tinham níveis em excesso de 0,6 g/l.
Ou seja, ao longo da semana, quase 30% das vítimas eram legalmente bêbados. Este valor inclui também as vítimas sóbrias que foram apanhadas pelos embriagados. Imagina o valor nas madrugadas de sábado...
A turma dos embriagados anda solta. Atropelam pedestres, derrubam postes de luz e colidem com outros carros; o meu, o seu, o nosso.
A situação é igual em São Paulo. O número de acidentes com vítimas nas madrugadas de sábado e domingo (da meia-noite às 7 horas) é três vezes maior do que nos dias úteis. A CET (Companhia de Engenharia de Trânsito), encarregado de gerenciar o trânsito de São Paulo reconhece que o abuso de álcool é responsável por esta situação, porém, admite que a fiscalização dessa infração (dirigir embriagado) sempre foi tímida na cidade de São Paulo.
Isso não deve espantar ninguém. Há décadas que sabemos que os Motoristas Embriagados são uma praga. O que deve nos espantar é a grande aversão que as autoridades têm à fiscalização desta infração.
É um abacaxi:
* Os agentes municipais não são armados e têm pavor de abordar e irritar um motorista bêbado e possivelmente armado.
* O horário é inconveniente para policiais, já que implica horas adicionais não remuneradas, a perda do fim da semana e um turno até 3 ou 4 horas da manhã.
* Alguns políticos acreditam que a fiscalização seria uma medida antipática (talvez devido ao próprio comportamento).
* E há o grande problema do que fazer com os veículos e condutores retidos. Mandar o sujeito para casa? Como? Rebocar o carro? E se os advogados disseram que peças sumiram no pátio? O que espanta mais é que, até agora, ninguém perguntou à população o que eles acham de tudo isso. Eu acho que a grande maioria quer retirar os embriagados da direção. Mas o achismo não vale nada. Para descascar este abacaxi temos que saber o que a maioria quer.
* Alan Cannell é especialista em trânsito





