Os dois brilham nas pistas como se fossem uma coisa só. Bólidos que viraram o sonho de consumo da nova classe média combinado à euforia do sertanejo universitário, o ritmo dançante que dobrou o Brasil, estão praticamente se fundindo nos clubes, nas ruas, nas estradas e nas rádios. As canções das duplas do momento pisam fundo para traduzir o ambiente cada vez mais urbano da cultura popular. O culto ao carro ganha cada vez mais hinos com sotaque interiorano.

Após menções esporádicas a cada temporada, o sonho brasileiro que viaja sobre quatro rodas se tornou recorrente nas composições que estão nos ouvidos e na boca de motoristas e passageiros. E, em sonho, carro é sempre grande, potente, veloz. E, o mais importante, turbina a vida amorosa.

Quem nunca ouviu estes versos retumbando na caixa de som de um possante? ''Vem ni mim Dodge Ram/ Focker duzentos e oitenta/ A mulherada louca...''. O sucesso do goiano Israel Novaes, apadrinhado com a voz da sensação Gusttavo Lima, abriu caminho para outros hits automobilísticos, que continuam saindo com cada vez mais vigor das linhas de produção.

Em todos eles, os brasileiros são apresentados como sujeitos apaixonados por carro e pelo poder que ele representa, ratificando nos tempos do politicamente correto, a força do automóvel como ícone máximo do consumo e da prosperidade.

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