Aquela história de esticar as marchas nos primeiros quilômetros para o motor do carro ficar ‘‘amaciado’’ é coisa do passado. Hoje em dia, segundo os especialistas, não existe mais a necessidade de abusar do automóvel para ele não ficar ‘‘manco’’.
Atualmente, os motores saem de fábrica sem a necessidade de serem amaciados pelo motorista. É que antes de sair da linha de montagem, eles passam pelo chamado ‘‘hot-test’’, um teste no qual se aquece o motor para verificar se não há nenhum problema no equipamento, como vazamento de óleo, se o motor está alcançando a potência desejada, entre outros itens que são analisados.
Esse processo, além de verificar se tudo está em ordem, trabalha o motor, colocando no mercado um carro já amaciado. E é por esse motivo que não adianta nada ficar pisando fundo acreditando que o veículo vai ‘‘aprender’’ que deve andar mais.
Outra coisa que mudou bastante junto com esse mito de amaciar para não ficar ‘‘manco’’ foi a evolução do material usado e da engenharia empregada. Agora os motores não sofrem mais tanto atrito entre as peças –como acontecia no passado com a tecnologia antiga– o que obrigava o motorista a acelerar um pouco mais para, com o uso exagerado, diminuir o atrito até ‘‘soltar’’ o motor.
O engenheiro mecânico do Instituto Mauá de Tecnologia, que fica em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, Jean Amadeo Brambila, explica que o ideal nos primeiros quilômetros é que o motorista não ande sempre em baixas rotações e nem constantemente em altas rotações. O bom para o motor, segundo Brambila, é que a rotação oscile, o que ocorre quando o condutor dirige o carro naturalmente .
O que acontece com o motor de quem anda constantemente em rotação baixa, mais ou menos 2.000 rpm, é que ele vai estar acumulando carvão no sistema de injeção, prejudicando o desempenho. Já quem anda sempre em alta rotação, mais ou menos 4.500 rpm, pode acarretar um desgaste excessivo dos anéis do pistão, ocasionando até uma quebra de motor, conforme explica o engenheiro mecânicoBrambila.
Por isso o ideal é sempre estar variando a rotação. Nesse caso o próprio sistema se limpa e o acúmulo de carvão é menor. ‘‘Quem fizer manutenção constante e ficar evitando andar só em alta ou só em baixa rotação, vai ter um veículo bom, com longa duração do motor’’, avisa Brambila.
O engenheiro Liao Dai Lon, responsável pelo cargo de Líder de Desenvolvimento de Calibragem de Injeção Eletrônica da Ford, explica que a tecnologia empregada atualmente no desenvolvimento dos motores é uma das responsáveis pela não necessidade de amaciamento do motor zero quilômetro. ‘‘Hoje os motores saem mais perfeitos de fábrica. Por isso que não é necessário o motorista andar de uma maneira diferente com o carro assim que o retira da concessionária. O ideal é que a pessoa use o carro normalmente, como ela usaria no dia-a-dia um automóvel com mais quilometragem’’, explica.
Lon diz também que o ‘‘hot test’’ é importante para verificar se o motor está funcionando normalmente e que, durante o processo, o motor fica mais ‘‘solto’’. ‘‘O ‘‘hot test’’, aliado à tecnologia empregada, ajuda a deixar o motor pronto para o cliente.’’

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