Motor mais potente com apenas um clique
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domingo, 10 de novembro de 2013
João Fortes<br> Reportagem Local 
Foi-se o tempo em que "envenenar" o carro era a solução para quem buscava mais potência e torque no motor. Em uma época em que a tecnologia da informação está cada vez mais avançada e popular, já não é mais necessário sujar a mão de graxa para potencializar o desempenho de um veículo. A palavra hoje é reprogramação eletrônica.
Do modelo mais básico ao mais moderno, os carros que são fabricados atualmente têm uma série de mecanismos gerenciados por uma central eletrônica, espécie de computador, no qual estão definidos parâmetros dos mais diversos, como limites de potência, torque e velocidade máxima.
Mas seja por questões de segurança, diferenças de legislação entre um país e outro ou até regras fiscais, tais parâmetros sempre são definidos reservando-se uma margem. Isso significa que o motor embaixo do capô do seu carro tem condições de gerar mais cavalos de potência, por exemplo, do que está descrito na ficha técnica. Mas, por uma série de fatores, a montadora mantém uma medida oficial.
Por isso, basta ter tecnologia certa e pessoal treinado para modificar os parâmetros da central eletrônica e ter um carro com aceleração diferenciada. "Nos veículos turbo é possível ter um ganho de 20% a 30% em torque e potência. Nos outros, consegue-se aumentar de 5% a 10%", destaca Getúlio Guimarães, gerente da Auto Air, oficina londrinense especializada em reprogramação.
Ele explica que o processo começa com uma leitura dos parâmetros atuais, que são copiados e ficam armazenados em outro computador, como um backup, caso o cliente queira desafazer a operação posteriormente. Em seguida, o software do carro é trocado por outro, já pré-definido para o modelo específico. "Cada central tem um procedimento de leitura e para definir esses novos parâmetros, a empresa que representamos (Prado) coloca todos os veículos no dinamômetro, faz acerto e mede emissões. Já temos uma tabela com as especificações de cada veículo", comenta Guimarães.
Embora os parâmetros alterados percam parte daquela margem definida pela montadora, Guimarães garante que o processo é seguro e não acarreta qualquer problema ao carro, nem reduz a vida útil do motor. Além disso, segundo ele, as informações inseridas não atingem o limite da capacidade do veículo.
As alterações, de acordo com o gerente, proporcionam melhores arrancadas e retomadas, além de maior segurança para determinadas situações. "Tanto que muitos clientes buscam por segurança, para fazer ultrapassagens com mais tranquilidade", destaca Guimarães.
A garantia também é de menor consumo de combustível, o que atrai frotistas de veículos pesados e até produtores rurais que utilizam máquinas agrícolas. "No caso de um carro, por exemplo, você mantém a mesma velocidade de cruzeiro, mas acelerando menos e trocando menos marcha, economizando combustível."
Cautela
Qualquer alteração que modifique características originais de um veículo deve ser bem pensada, ainda mais quando o carro ainda está na garantia de fábrica, já que o proprietário pode perdê-la se a montadora descobrir alterações.
Por esse e outros motivos é que o coordenador do curso de mecânica automotiva do Senai Londrina, Edison Bonifácio, não concorda com a ideia de aumentar parâmetros para se ter ganho de desempenho do motor. "Todo carro sai de fábrica com uma margem de segurança. Quanto mais se mexe nessa margem maior o risco de ocorrer algum problema com o motor. Você aumenta, por exemplo, a capacidade de explosão de combustível dentro da câmara e altera o ponto de ignição. Os componentes mecânicos sofrem maior desgaste", justifica.
Com relação à vida útil do motor, Bonifácio também diverge. "A vida útil do motor diminui e se ele está preocupado com durabilidade, deve-se pensar bem antes de fazer esse tipo de alteração."


