Fabricantes de autopeças aceleram projetos de desenvolvimento do motor bicombustível para caminhões e ônibus, que poderão rodar com diesel ou gás natural. A idéia é ter a tecnologia disponível já neste ano para participar do programa de substituição da frota de ônibus urbanos que circula pela capital e cidades do interior de São Paulo.
Criado pelo governo do Estado, o programa prevê a troca do uso do diesel pelo gás em 33 mil ônibus que percorrem cidades e regiões como Campinas, São José dos Campos, Baixada Santista e Grande São Paulo.
A Delphi projetava o lançamento comercial do motor flexível para veículos pesados no fim de 2006, mas pode apressar os planos porque sua concorrente Bosch também está desenvolvendo a tecnologia. As duas empresas de autopeças, junto com a Magneti Marelli e a Siemens, são detentoras da tecnologia no segmento de automóveis. Modelos bicombustíveis responderam em dezembro por 71% das vendas de carros novos.
De acordo com o gerente de Projetos Especiais da Delphi, Vicente Pimenta, o sistema para caminhões inclui o desenvolvimento de cilindros de gás mais leves, de fibra de carbono e alumínio, para facilitar o transporte. Os cilindros deverão ser encaixados no chassi dos veículos. Para os ônibus, estuda-se utilizar parte do bagageiro.
Segundo o secretário de Ciência e Tecnologia de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles, o governo está assinando protocolos com empresas e municípios para iniciar a substituição dos ônibus e diesel por modelos a gás. Para incentivar as empresas, o governo vai reduzir o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na compra de veículos novos e garantir o fornecimento do gás por preço equivalente a no máximo 55% do valor do diesel.
Montadoras brasileiras, como a Mercedes-Benz, já dispõem de ônibus movidos a gás, mas as empresas de transporte reclamam que, no momento da substituição da frota, que ocorre a cada seis anos, a revenda é difícil porque nem todas as regiões do País têm rede de abastecimento do combustível. A tecnologia bicombustível acaba com esse problema, pois o usuário poderá utilizar o diesel quando não houver disponibilidade de gás.
Meirelles assinou protocolo para o programa de substituição da frota de ônibus a diesel por modelos a gás com o Sindicato Nacional dos Fabricantes de Autopeças (Sindipeças). A entidade vai acompanhar o projeto para evitar conversões indevidas de motores, a exemplo do que ocorre atualmente com automóveis.
''A conversão irregular gera mais emissão de poluentes e riscos de segurança'', diz Besaliel Botelho, vice-presidente da Bosch e conselheiro do Sindipeças.
O governo estadual também assinou protocolo com a Petrobras, que se comprometeu em acelerar obras de exploração da bacia de gás em Santos. Nos últimos meses, Meirelles tem visitado os municípios por onde circula a frota de 33 mil ônibus que deverão ser substituídos para discutir como será o processo de troca.
Recorde - A despeito da crise boliviana e do aumento de preços, o número de conversões de veículos para o gás natural veicular (GNV) bateu recorde em 2005. Segundo dados do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), mais de 200 mil proprietários de veículos aderiram ao combustível até novembro deste ano, marca superior ao desempenho de 2003, quando foram registradas 194 mil conversões. O número de veículos movidos a GNV ultrapassa os 1,100 milhão em todo o País.
O Rio de Janeiro mantém a dianteira entre os adeptos do combustível, com mais de 400 mil veículos em circulação. Santa Catarina, no entanto, vem apresentando o maior crescimento, de 50% em relação ao ano passado.

mockup