Há nada mais nada menos que um século surgia na indústria automobilística uma peça que de certa forma mudaria para sempre o jeito de se pensar um veículo. O motor de partida, ou motor de arranque, foi testado pela primeira vez em 1912, nos Estados Unidos, em um Cadillac. O anúncio promocional do carro dizia: ''O primeiro automóvel sem manivela de partida''.
O técnico de ensino e especialista em eletrônica embarcada do Senai Everson de Souza explica que o motor de arranque serve para impulsionar o funcionamento do motor de combustão interna do automóvel até que ele possa trabalhar de forma autônoma. ''O motor de arranque só funciona no momento da partida e durante seu funcionamento acontecem alguns processos, mas tudo leva, em média, três segundos'', diz.
Segundo ele, o motor de partida é a peça que mais consome a corrente elétrica da bateria e ao longo dos anos, sua capacidade de atuação e torque tem aumentado, melhorando não só o rendimento do equipamento, mas de todo o veículo. ''Antigamente ele funcionava como eletroímã, transformando energia elétrica em mecânica. Agora, os motores são imantados, criando um campo permanente dependendo da bateria apenas para induzir seu movimento de rotação, o que diminui bruscamente o consumo bateria'', explica.
Essa pequena alteração possibilita à bateria trabalhar da melhor maneira principalmente os sistemas de ignição e a central de injeção eletrônica. Outro benefício é a redução do barulho do veículo, já que durante seu funciomanento, o motor tem se mostrado cada vez mais silencioso.
Souza destaca que a criação de um sistema de campo magnético permanente também aumentou a vida útil da peça e reduziu os custos de manutenção. Conforme ele, atualmente os motores de partida duram, em média, 40 mil quilômetros. ''Exceto para motoristas de táxi porque eles estão sempre precisando dar partida em seus veículos, o que exige mais da peça'', enfatiza.
Em caso de mau funcionamento, o motor de arranque nem sempre precisa ser trocado por completo, mas qualquer verificação deve ser feita por um profissional qualificado. ''É ideal realizar uma checagem preventiva, lubrificar e verificar componentes de escovas e como a peça fica entre o motor e a caixa de câmbio, a manutenção precisa de auxílio profissional'', reforça.
Em seu princípio, o motor de partida chegou a pesar entre 18 e 23 quilos. Hoje, chega a 1,8 quilo. A redução de peso e, consequentemente, de tamanho aponta para um futuro nada promissor para a peça. Coordenador do Núcleo de Engenharia da Faculdade Pitágoras, Fernando Ciriaco Dias Neto vislumbra um momento em que o motor de arranque não seja mais necessário. Ele cita os carros de motor elétrico e os híbridos como o princípio dessa mudança. ''Acredito que haverá uma peça, como já existe em alguns carros, que funcione com o mesmo princípio do motor de arranque, mas que além de impulsionar o motor, ocupe outras funções'', vislumbra.