O preço acessível e a facilidade de mobilidade, mesmo durante os congestionamentos, fizeram o número de motocicletas aumentar muito nos países em desenvolvimento nos últimos anos. No entanto, se reduzem o problema de tráfego, esses veículos poluem muito.
Segundo o diretor do Instituto Motori, da Itália, Aldo Di Lorenzo, o motor em dois tempos das motos aproveita pouco do combustível, desperdiçando energia e tem emissões comparativamente muito maiores do que os automóveis. Somente em relação ao monóxido de carbono, as motos emitem 40 vezes mais do que um carro com catalisador.
‘‘Por isso, a Comunidade Européia começou a incentivar a pesquisa para melhorar esses veículos. Estudos para o uso de álcool em motocicletas seria uma ótima proposta para um convênio de pesquisa entre o Brasil e a Itália’’, sugeriu.
Lorenzo é coordenador do Programa Napoli, uma iniciativa da União Européia para melhorar a qualidade do ar em três cidades na região do Mediterrâneo (Nápoles, Barcelona e Atenas). Entre as diretrizes do programa estão a utilização de tecnologias limpas, privilegiar o transporte público, medidas restritivas ao transporte individual e uma política de uso correto do território, descentralizando os serviços públicos.
Como tudo o que se refere a trânsito e poluição, o Programa Napoli, iniciado em 1998, não propôs nenhum milagre, mas um conjunto de ações integradas, que incluíram horários diferenciados de funcionamento para escolas, escritórios e comércio, proibição da circulação de veículos particulares no centro histórico e, em alguns dias, da circulação de carros sem catalisador.
Uma das alternativas apresentadas para melhorar a qualidade do ar nas grandes cidades, foi a adoção de ônibus híbridos, que funcionam a diesel e eletricidade. Desenvolvido em São Bernardo do Campo, com tecnologia nacional, o projeto da empresa Eletra possui um motor a diesel com metade da potência de um motor normal, cuja função é gerar energia elétrica, responsável pelo funcionamento do veículo.
‘‘É como um troleibus, mas que não depende da fiação de rua’’, diz Iêda Maria Oliveira, diretora comercial da empresa. Com seis ônibus em operação em São Bernardo desde 1999 - um articulado, quatro padrão e um micro-ônibus - o motor desenvolvido pela Eletra custa 30% mais do que um a diesel, mas emite 95% a menos de fuligem (fumaça preta) e cerca de 70% a menos dos demais gases. Além disso, consome entre 15% e 20% menos diesel, tem uma vida útil de 15 anos (a média para ônibus é de sete anos) e é mais silencioso (cerca de 30 decibéis a menos).

mockup