Moto polui mais que carro
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de junho de 2002
Agência Estado 
O preço acessível e a facilidade de mobilidade, mesmo durante os congestionamentos, fizeram o número de motocicletas aumentar muito nos países em desenvolvimento nos últimos anos. No entanto, se reduzem o problema de tráfego, esses veículos poluem muito.
Segundo o diretor do Instituto Motori, da Itália, Aldo Di Lorenzo, o motor em dois tempos das motos aproveita pouco do combustível, desperdiçando energia e tem emissões comparativamente muito maiores do que os automóveis. Somente em relação ao monóxido de carbono, as motos emitem 40 vezes mais do que um carro com catalisador.
Por isso, a Comunidade Européia começou a incentivar a pesquisa para melhorar esses veículos. Estudos para o uso de álcool em motocicletas seria uma ótima proposta para um convênio de pesquisa entre o Brasil e a Itália, sugeriu.
Lorenzo é coordenador do Programa Napoli, uma iniciativa da União Européia para melhorar a qualidade do ar em três cidades na região do Mediterrâneo (Nápoles, Barcelona e Atenas). Entre as diretrizes do programa estão a utilização de tecnologias limpas, privilegiar o transporte público, medidas restritivas ao transporte individual e uma política de uso correto do território, descentralizando os serviços públicos.
Como tudo o que se refere a trânsito e poluição, o Programa Napoli, iniciado em 1998, não propôs nenhum milagre, mas um conjunto de ações integradas, que incluíram horários diferenciados de funcionamento para escolas, escritórios e comércio, proibição da circulação de veículos particulares no centro histórico e, em alguns dias, da circulação de carros sem catalisador.
Uma das alternativas apresentadas para melhorar a qualidade do ar nas grandes cidades, foi a adoção de ônibus híbridos, que funcionam a diesel e eletricidade. Desenvolvido em São Bernardo do Campo, com tecnologia nacional, o projeto da empresa Eletra possui um motor a diesel com metade da potência de um motor normal, cuja função é gerar energia elétrica, responsável pelo funcionamento do veículo.
É como um troleibus, mas que não depende da fiação de rua, diz Iêda Maria Oliveira, diretora comercial da empresa. Com seis ônibus em operação em São Bernardo desde 1999 - um articulado, quatro padrão e um micro-ônibus - o motor desenvolvido pela Eletra custa 30% mais do que um a diesel, mas emite 95% a menos de fuligem (fumaça preta) e cerca de 70% a menos dos demais gases. Além disso, consome entre 15% e 20% menos diesel, tem uma vida útil de 15 anos (a média para ônibus é de sete anos) e é mais silencioso (cerca de 30 decibéis a menos).


