Dados do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) mostram que, desde o início dos anos 2000, a produção brasileira de motocicletas está crescendo em percentuais bem superiores à de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus (autoveículos). Já na hora da compra, a economia no consumo de combustíveis e a agilidade no trânsito são atrativos.
Talvez por isso, as vendas de motos já tenham ultrapassado um milhão de unidades, de janeiro a setembro deste ano, enquanto a produção aumentou 123%, até 2006. Para os carros esse aumento foi de 54%, no mesmo período. A previsão é de que a fabricação de motos continue a ser superior nos próximos cinco anos. Só em 2007, devem ser montadas, no país, quase 1,7 milhão de motos, segundo as projeções da Comissão de Forecast do Sindipeças e da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).
O que preocupa é que a frota de motocicletas que circula no país, que hoje é de cerca de 6,3 milhões, polui duas vezes mais que a de carros. Segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), ligada à Secretaria do Meio Ambiente do governo de São Paulo, uma motocicleta de pequeno porte emite sete vezes mais monóxido de carbono do que um automóvel. De acordo com a Abraciclo, essa poluição pode ser de 10 a 12 vezes maior.
Dados da Cetesb mostram ainda que a média de emissão de monóxido de carbono (CO) por carros novos a gasolina foi de 0,33 gramas por quilômetro, em 2006. Para as motos novas, de até 150 cilindradas, esse índice foi de 2,30 gramas por quilômetro. O que pode justificar esses índices é o fato de a indústria de motocicletas ter adiado os investimentos em tecnologias mais limpas. Além disso, a legislação que estabelece limites para emissão de poluentes para os carros foi criada 20 anos antes das normas para motos.

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