Moto polui mais do que carros de passeio
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de outubro de 2007
Agência Graffo 
Dados do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) mostram que, desde o início dos anos 2000, a produção brasileira de motocicletas está crescendo em percentuais bem superiores à de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus (autoveículos). Já na hora da compra, a economia no consumo de combustíveis e a agilidade no trânsito são atrativos.
Talvez por isso, as vendas de motos já tenham ultrapassado um milhão de unidades, de janeiro a setembro deste ano, enquanto a produção aumentou 123%, até 2006. Para os carros esse aumento foi de 54%, no mesmo período. A previsão é de que a fabricação de motos continue a ser superior nos próximos cinco anos. Só em 2007, devem ser montadas, no país, quase 1,7 milhão de motos, segundo as projeções da Comissão de Forecast do Sindipeças e da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).
O que preocupa é que a frota de motocicletas que circula no país, que hoje é de cerca de 6,3 milhões, polui duas vezes mais que a de carros. Segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), ligada à Secretaria do Meio Ambiente do governo de São Paulo, uma motocicleta de pequeno porte emite sete vezes mais monóxido de carbono do que um automóvel. De acordo com a Abraciclo, essa poluição pode ser de 10 a 12 vezes maior.
Dados da Cetesb mostram ainda que a média de emissão de monóxido de carbono (CO) por carros novos a gasolina foi de 0,33 gramas por quilômetro, em 2006. Para as motos novas, de até 150 cilindradas, esse índice foi de 2,30 gramas por quilômetro. O que pode justificar esses índices é o fato de a indústria de motocicletas ter adiado os investimentos em tecnologias mais limpas. Além disso, a legislação que estabelece limites para emissão de poluentes para os carros foi criada 20 anos antes das normas para motos.


