Moto e criança: segurança reforçada
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domingo, 02 de fevereiro de 2014
Emanuelle Spack<br>Especial para a FOLHA 
É permitido transportar crianças na garupa de motocicletas? Sim, é possível, desde que o condutor do veículo tome alguns cuidados essenciais e siga as orientações da legislação. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) há restrições para esse tipo de condução, à qual aplica-se o disposto no artigo 244, inciso V do CTB, o qual diz que além da idade mínima permitida ser de 7 anos, as crianças precisam ter altura adequada para que os pés fiquem sustentados e firmes nas pedaleiras e consigam ter firmeza nas mãos e braços para se segurar no piloto. Também é preciso capacetes apropriados para o tamanho infantil e roupas adequadas. E ainda que o passageiro tenha mais de 7 anos, se ele tiver qualquer tipo de limitação que o impeça de cuidar de sua própria segurança, não poderá ser conduzido na motocicleta.
Segundo informações da Secretaria Municipal de Trânsito (Setran) de Curitiba, os condutores que desobedecem a lei e transportam menores de 7 anos nas motos cometem infração gravíssima, com multa de R$ 191,54 e o acúmulo de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Cassiano Novo, diretor da Escola Pública de Trânsito da Setran, explica que a idade mínima pode mudar para 12 anos, conforme projeto tramitando no Congresso Nacional. "A maturidade psicomotora começa entre 12 e 14 anos. Aos 7 anos, ela não tem a capacidade de discernir o ângulo da trajetória da moto, o ângulo da curva ou uma frenagem rápida." Ele salienta a importância do capacete estar bem ajustado e o uso de roupas de couro para proteger a criança.
Geralmente, em dias ensolarados, os pais apaixonados por motos levam seus filhos para a escola, casa de amigos, avós ou passeios curtos pela cidade na garupa da motocicleta. É o que costuma fazer Nilson Moreira Alves, profissional da área de compras, que conduz a filha Mariane Rodrigues Alves, de 14 anos, em trajetos curtos, de cerca de cinco quilômetros.
"Comecei a transportar minha filha na moto quando ela tinha 9 anos. Sempre com muito cuidado, velocidade baixa e distâncias pequenas. Todo motociclista que transporta crianças sabe que não pode fazer manobras muito perigosas e tem que pilotar com mais atenção", diz.
Adenira Rodrigues Alves, esposa de Nilson, contou ainda que Mariane só sobe na moto equipada como manda a lei: de capacete com a viseira sempre fechada, roupa apropriada e com os pés apoiados na pedaleira. "Desde o início, nós a orientamos para que ela observe tudo o que está acontecendo e segure firme no pai", ressalta.
E não é diferente com o comerciante Claudecir Bianchini. Ele também transporta a filha, Alicia de Goes Bianchini, de 10 anos. "Quando ela completou 7 anos, comecei a levá-la para a escola. Toda vez que minha filha sobe na moto, ela está de capacete e vestida de forma apropriada para sua segurança." Atualmente, Bianchini leva sua filha em trajetos mais longos, como passeios para Morretes (Litoral).
Para melhorar a segurança nessas viagens, pai e filha criaram um tipo de comunicação: "Eu e Alicia temos um código de abraço apertado. De acordo com a quantidade e a intensidade dos apertões que ela me dá, eu sei quando ela quer que eu pare a moto, se ela quer que eu diminua a velocidade ou se ela está precisando de alguma coisa". Sempre que o trajeto é mais longo, a esposa de Bianchini os acompanha de automóvel, caso Alicia deseje mudar o veículo de transporte.


