O Ford Ka teve seu preço reajustado na última semana em 2,5%As montadoras vão continuar reajustando os preços dos veículos enquanto os consumidores aceitarem pagar esses valores. Os carros mais vendidos e que tenham menores descontos nas concessionárias são o principal alvo.
Foi essa lógica, por exemplo, que a Ford deve ter utilizado na semana passada ao anunciar reajuste de 2,5% para o Ka, modelo recém-lançado que ainda está em falta em várias revendas. Para os demais automóveis nacionais, o índice ficou entre 0,5% e 1,6%.
A Fiat também decidiu reajustar em até 4% o preço do Uno Mille, o carro ‘‘popular’’ da marca. O aumento vale para o modelo 98, que começa a ser entregue esta semana às concessionárias.
O Mille SX, a versão básica do carro, está 1% mais caro. Passou de R$ 10.461 para R$ 10.566. Com a nova linha, a Fiat lança o Mille SX Young, versão mais sofisticada do modelo, com decoração externa especial. O Young custará R$ 10.890, 4% mais que a tabela antiga do Mille.
Os outros modelos da Fiat devem sofrer reajuste ainda este mês. ‘‘É inevitável um aumento na segunda quinzena’’, disse Rubens Carvalho, vice-presidente da Abracaf (associação dos revendedores Fiat), após reunião de concessionários com a direção da empresa, em São Paulo.
Apesar do reajuste, o Mille ainda é o carro mais barato do país. Na comparação com o primeiro semestre de 96, as vendas do Mille despencaram (queda de 65%) nos primeiros seis meses deste ano. A Fiat reduziu a produção do Mille para aumentar a oferta do Palio 1.0.
O vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, disse que os reajustes somente são aplicados após uma pesquisa de mercado para constatar os modelos pelos quais o consumidor estaria disposto a pagar mais. A pesquisa, garante ele, leva em consideração os descontos que estão sendo oferecidos pelas concessionárias.
‘‘Nós temos necessidade de buscar recursos para manter os investimentos’’, justifica Pinheiro. Por outro lado, ele diz que a ‘‘era do repasse de custos acabou’’ e, mesmo que ocorra aumento de algum insumo, como o aço, não significa que haverá repasse para o consumidor. No caso do aço, que deve ficar entre 7% e 12% mais caro neste mês, as montadoras estão negociando com as siderúrgicas um adiamento de reajuste ou parcelamento.
Os fabricantes de autopeças, que não têm o mesmo poder de negociação, terão que arcar com os custos pois, segundo Pinheiro Neto, a indústria automobilística não vai aceitar reajustar preços de fornecedores. ‘‘Se fabricantes de aço e de autopeças não aceitarem nossas condições, há sempre a possibilidade da importação’’, diz o vice-presidente da Anfavea.

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