Montadoras param de produzir por excesso de estoque
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de agosto de 1998
Agência Estado 
A Ford de São Bernardo do Campo (SP) parou sua produção na última sexta-feira porque não tem onde colocar os 978 veículos que seriam fabricados. Seus pátios estão completamente lotados. A informação é do coordenador da comissão de fábrica da montadora, Rafael Marques da Silva Junior, que conduziu assembléia de funcionários. A empresa nos disse que terá de alugar um novo pátio se continuar produzindo normalmente, afirmou o coordenador.
Os cerca de 7 mil empregados aprovaram a adoção de semana de apenas quatro dias de trabalho na primeira quinzena de agosto, para dar tempo de desovar o estoque. Pelo acordo, a carga semanal de trabalho passará a ser de 36 horas - e não mais de 42.
Um terço do período não trabalhado será considerado licença remunerada, sem necessidade de reposição pelos trabalhadores. O restante vai para o banco de horas. Na segunda quinzena do mês, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e a Ford voltarão a negociar.
A empresa ainda não definiu o período no qual precisará trabalhar menos. A estimativa inicial era de reduzir em 20% a produção, até o final do ano, o que resultaria em 17 mil veículos a menos que o previsto. A redução do IPI sobre os automóveis e eventual aquecimento das vendas poderão encurtar o período de baixa produção.
Também no caso da Volkswagen, há indefinição sobre a produção de agosto. O diretor de Recursos Humanos da montadora, Fernando Tadeu Perez, disse que a programação deverá ser conhecida apenas na quarta-feira. A expectativa dos empregados é de que a montadora cancele pelo menos dois dias de tabalho no mês, a exemplo do que já fez em julho nas fábricas do ABC e de Taubaté (SP).
A General Motors já havia comunicado, que dará 12 dias de férias coletivas aos funcionários a partir do dia 24 em São Caetano do Sul e em São José dos Campos (SP). A Fiat, instalada em Betim (MG), já reduziu a produção em 4,5%.


