Montadoras não têm peças para recall
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de fevereiro de 2015
Cleide Silva<br>Agência Estado 
São Paulo - Após número recorde de recalls de veículos no ano passado, faltam peças para reparar os carros envolvidos em campanhas para corrigir erros de fabricação. O caso mais preocupante é o de modelos Cobalt, Onix, Prisma e Spin, da General Motors, cujo defeito pode, em casos extremos, provocar incêndio.
A GM anunciou recall para 400.940 veículos em meados de dezembro, com início previsto para o dia 22. A empresa chamou consumidores para providenciar a substituição da porca de fixação da bomba de combustível ou do tanque e alertou para os riscos de incêndio. No entanto, a peça para o conserto não está disponível, segundo relatam consumidores e concessionários.
"Recebi duas cartas no início de dezembro que alertavam sobre o risco de pegar fogo; fiquei assustada e liguei para agendar o conserto, mas me colocaram em uma fila de espera, pois a peça está em falta e não há previsão de quando chegará", conta Ana Maria Primo Marques, de 71 anos.
Dona de um modelo Cobalt 2013, Ana Maria marcou hora numa concessionária e levou o carro, mas lá recebeu a mesma informação e foi colocada numa lista de espera para ser avisada assim que a peça chegar. "Não entendo por que a empresa faz um recall assustando a gente, mas não tem a peça para o conserto", diz ela, que fez questão de ficar com uma cópia da ordem de serviço emitida pela revenda.
Várias concessionárias consultadas confirmaram não ter a peça e os atendentes afirmaram que a falta é generalizada. A única orientação dada aos clientes por algumas revendas é para não encher o tanque de combustível até que o conserto ocorra. Também afirmam que o risco de incêndio "é só em casos de capotamento". Há lojas em São Paulo com 180 a 400 pessoas na fila para o recall.
Proprietários de modelos Peugeot 208 e Citroën C3, C3 Picasso e Aircross também relatam dificuldades em realizar o recall para substituição dos braços da suspensão dianteira desses modelos. O defeito, segundo as fabricantes, pode resultar em perda de dirigibilidade "e grave risco de acidentes com danos físicos ou materiais aos ocupantes ou terceiros".
A convocação de 40.742 modelos das duas marcas foi feita no dia 5 de dezembro. "Fiquei um mês e meio tentando agendar a troca em várias revendas e sempre informavam que a Peugeot não tinha peças disponíveis", informa Daniela Leite André Magalhães.
"Na quarta-feira recebi um telefonema de uma das concessionárias marcando o conserto para o dia 30, mas estou com medo de chegar lá e não ter a peça, como ocorreu com outras pessoas", diz ela. Daniela mora em Itatiba (SP) e viaja todos os dias cerca de 60 km para Bragança Paulista, onde trabalha no setor de Recursos Humanos de uma empresa.
"É uma rodovia perigosa e estou sempre receosa, pois a carta que recebi fala em riscos de acidente, porque a roda do carro pode se soltar", afirma Daniela, que tem um modelo 208 ano 2013. "O mínimo que se espera de um recall que envolve risco de morte são peças para troca imediata."
O site Reclame Aqui contabiliza de dezembro até 20 de janeiro 419 reclamações envolvendo problemas com recall de veículos, entre falta de peças, dificuldade de agendamento e demora em realizar o serviço. É mais que o dobro das 204 reclamações no mesmo período do ano passado, informa um representante do site.


