Montadoras investem em carros elétricos
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sábado, 15 de agosto de 2009
Cleide Silva<br> Agência Estado 
São Paulo - Abastecer o carro na tomada e rodar pelas ruas com a tranquilidade de não poluir o ar é um cenário que começa a se tornar realidade em vários países. Nas últimas semanas, as principais montadoras do mundo mostraram veículos elétricos que, após longo período de desenvolvimento, deixarão de ser protótipos e chegarão às lojas a partir do próximo ano, embora inicialmente a preços salgados.
Nenhuma fabricante quer ficar de fora desse nicho, que ganha importância principalmente nos Estados Unidos, Europa e Japão, onde os governos estão incentivando o desenvolvimento do tão esperado carro limpo. O presidente Barack Obama anunciou que dará às três montadoras americanas (GM, Ford e Chrysler) mais de US$ 400 milhões em recursos para apoio à fabricação de veículos elétricos e híbridos avançados.
A ajuda faz parte de um programa para o setor de energia, que tem como objetivo reduzir a dependência do país da importação de petróleo, mas também é um esforço para não perder essa corrida para fabricantes europeus e japoneses. O Brasil não está alheio ao processo, embora ainda atue de forma tímida. Recentemente, montadoras e governo colocaram o tema na pauta de discussões.
''Se decisões estão sendo tomadas mundo afora e podem ter impacto no médio e longo prazos no mundo automobilístico, mesmo que regionalmente, nós temos de participar ativamente'', diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider.
Ele acredita que a discussão passa pela definição da matriz energética do País para garantir o abastecimento desses veículos. O tema já foi tratado em encontros com a participação dos ministérios de Ciência e Tecnologia, Minas e Energia e Meio Ambiente, mas, até agora, ocorreram algumas poucas discussões técnicas.
Lá fora, várias montadoras prometem colocar modelos elétricos à venda em larga escala a partir de 2010, e há uma corrida entre quem será o primeiro. Várias delas fizeram parcerias para o fornecimento da bateria, o coração dos carros elétricos e o item que ainda é ''o calcanhar de Aquiles por causa da dimensão'', afirma Leornardo Cavaliere, supervisor de inovação e veículos especiais da Fiat do Brasil.
As empresas anunciaram diferentes tecnologias, algumas de carros totalmente e outras parcialmente elétricos. O modelo puramente elétrico usa baterias como fonte primária de energia, que são recarregadas na rede elétrica. O chamado Plugin é uma combinação de energias, com um motor a combustão e outro elétrico, e pode ter a bateria recarregada na rede elétrica. Há casos em que o carro pode ser ligado na tomada de casa, e outros em que é preciso uma rede especial ou postos de abastecimento.
O híbrido também é uma combinação de energias (elétrica e mecânica - do motor convencional), mas não é recarragado na tomada. Já o veículo a células de combustível - a etapa mais avançada do carro limpo -utiliza o hidrogênio como fonte primária, usada para mover o motor elétrico, explica Eude Oliveira, técnico da área eletroeletrônica da Ford brasileira.
O grupo Renault/Nissan mostrou há 15 dias o Leaf, modelo que o presidente da empresa, o franco brasileiro Carlos Ghosn chamou de o primeiro carro elétrico fabricado para atender aos requisitos de viabilidade financeira do mundo real e com emissão zero. Segundo a empresa, o modelo pode ser recarregado em uma tomada doméstica de 220 volts em oito horas.
Thomas Besson, presidente da Nissan do Brasil, disse que ''há estudos de trazer o modelo para o Brasil'', mas não deu detalhes. Outro modelo que pode aportar em breve no País, apenas para testes, é o Mitsubishi
No caso do Volt, a bateria recarregada na tomada doméstica tem autonomia para rodar 64 quilômetros. Se a carga acaba, o motor a combustão (com o combustível desejado) é acionado automaticamente. ''O carro pode ser carregado numa tomada normal, durante oito horas'', diz Pedro Manuchakian, vice-presidente de engenharia da GM do Brasil. Uma boa solução, afirma, é fazer isso à noite, quando a rede está menos sobrecarregada.
Segundo Manuchakian, o preço do Volt, previsto para chegar ao mercado no fim de 2010 ou início de 2011, será maior do que um modelo convencional e inferior ao de um modelo híbrido. A própria GM decidiu desenvolver a bateria de ion-lítio junto com um empresa parceira para acelerar o lançamento do veículo.
O uso da energia equivale ao de uma geladeira extra na casa, informa Plínio Cabral Júnior, diretor de engenharia eletroeletrônica da GM. O acionamento do carro é feito por um botão, e não há ruídos. ''Estudamos criar um ruído que imite o ronco do motor para motoristas que têm prazer em dirigir e querem sentir a performance do veículo'', conta ele. A ''falta'' do ruído foi constatada em testes com 15 modelos Volt que já circulam pelos EUA.
O carro flex, por enquanto, está dando conta do recado no mercado brasileiro com o uso do álcool, afirma Manuchakian. Mas ele acredita que, em quatro a cinco anos, o carro elétrico poderá ser introduzido no País. Será preciso criar infra-estrutura de postos de abastecimento para o usuário não depender apenas da tomada caseira.


