Agência Estado
As montadoras já conseguiram, com os aumentos nos preços do início do mês, compensar o desconto que darão na formação do bônus dos carros vendidos por meio do programa de renovação da frota. A parte das montadoras no bônus, por enquanto, é R$ 300 por veículo. No início do mês o Gol 1.0 aumentou R$ 283, o Fiesta, R$ 244 e o Palio R$ 180. Modelos médios alcançam diferenças maiores, que passam de R$ 400. Os aumentos apresentam ainda uma coincidência: três dos quatro veículos mais baratos do País - Corsa, Gol e Mille - foram reajustados no mesmo valor - R$ 151.
Os reajustes surpreenderam os concessionários e deixaram
o consumidor confuso na medida em que, mais uma vez, vieram acompanhados de descontos. Ou seja, a montadora fixa aumento de um lado, mas imediatamente entra com descontos, em promoções conjuntas com as revendas. Essa prática se tornou comum há vários meses, desde que a oferta ficou muito maior do que a demanda. O tamanho destes descontos varia conforme a dificuldade de venda do modelo. Mas, em média, mesmo os veículos mais procurados já estão chegando da fábrica para a loja com abatimentos de até R$ 1.000.
Dependendo da disputa pelo consumidor, o concessionário acrescenta mais abatimentos. E os descontos para quem está levando um carro à vista estão variando de 8% a 16% hoje. Na prática, a indústria não está repassando preços mais altos para o consumidor. Mas na tabela, a elevação fica garantida. E é o valor de tabela que vai valer para quem se inscrever no programa da renovação da frota.
Além dos R$ 300 de que a montadora vai abrir mão, o bônus será composto por mais R$ 300 do concessionário. Os governos estaduais vão entrar com R$ 500 na forma de redução de ICMS e o governo federal com R$ 700, por meio de IPI menor. No total, um carro vendido no programa de renovação terá abatimento de R$ 1.800.
Levando em conta o atual mercado, não há vantagem. Um Corsa com opcionais está tabelado a R$ 16.700. No programa sairia por R$ 14.900. A concessionária Trans-Am, de São Paulo, vendeu carros iguais a este por R$ 14.300 e até R$ 14 mil há poucos dias.
SucataO presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, assegura que os aumentos desse mês não visam a compensação do que a indústria terá de desembolsar no programa. Ele lembra que as montadoras terão de gastar mais R$ 400 a R$ 600 por carro que virar sucata porque se comprometeram a cuidar da reciclagem.