Montadoras apresentaram novidades na Fenatran
Enquanto as marcas especializadas em caminhões pesados amargam quedas, os executivos das linhas de extra-pesados, sobretudo de duas empresas, da MAN Latino América e da Mercedes-Benz, travam batalha via departamentos de inovação e produtos. A mais agressiva em termos comerciais é a fusão entre Volkswagem e Man Latino América (marca alemã de caminhões com mais de 250 anos de mercado), que acelera forte para assustar a concorrência e divulga dois novos modelos de caminhões, TGS e TGX Man, com previsão de chegar ao Brasil só daqui a dois ou três anos. O valor de mercado previsto é da ordem de R$ 400 mil por unidade.
O presidente da Man Latino América, Roberto Cortes é enfático ao afirmar que a marca Volkswagen de caminhões e ônibus é indiscutivelmente a melhor do Brasil. Só existe uma marca melhor que é a MAN Latino América, defendeu. Pautado por um discurso mais marqueteiro que mercadológico, garante que mesmo com a crise financeira e problemas relativos à economia mundial, soubemos reagir de forma adequada e o ano acabou sendo bom.
Analisando os números do market share (fatia de participação no mercado) do segmento, é possível observar que o objetivo da Volks/Man Latino América é entrar na disputa pela primeira posição. Segundo dados da Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea), a Mercedes-Benz é a líder com 25% da fatia, seguida pela Scania com 24% e Volkswagen, dona de 23% do setor. A estratégia da Volks ao lançar a marca Man, no Brasil, tem como meta ocupar a primeira colocação, mas como as 100 primeiras unidades (que inclusive já foram vendidas na quase totalidade para o Grupo Simões) estão previstas para chegar daqui a dois anos, a Mercedes tem tempo de sobra para se preparar.
Tanto que, aproveitou o alvoroço causado pelo concorrente para lançar o extra-pesado Actros 2646 LS, o primeiro da empresa para o transporte de grãos e subsídios da mineração e da construção civil. Produzido na Alemanha, o modelo promete mais segurança e de acordo com João Batista Saadi, presidente da Mercedes no Brasil, todas as montadoras que possuem veículos extra-pesados terão trabalho redobrado de agora para frente. O modelo poderá ser adquirido a partir de janeiro próximo.
Pouco receoso quanto aos números negativos do setor, Saadi espera que a recuperação observada a partir de julho continue, pois considera que o primeiro semestre (deste ano) foi ruim. Para isso, acredita que seja necessário outra prorrogação do IPI, pelo menos até o final do ano. Acredito que se forem prorrogadas as medidas para 2010, será o melhor ano da indústria como um todo no Brasil. A criação da linha de crédito pela Finame também reergueu as vendas, declarou.
Saadi garante que o negócio de caminhões no Brasil é sólido, uma vez que 60% da produção agro-industrial é transportado via estradas de rodagem. Quer na cidade ou na estrada tem um caminhão presente. Ele tem um efeito multiplicador forte nessa linha de atuação, apontou, lembrando que cada unidade do Actros custará a partir de R$ 350 mil.
Quanto ao anúncio da entrada de uma forte concorrente no mercado, a MAN Latino América, Saadi rebateu as provocações dos executivos da companhia. Não assustou em nada, respondeu categórico. Ele acredita que a mudança de controle acionário da Volkswagen não representa novidade em termos de concorrência. Conhecemos ela da Alemanha e com certeza vai trazer mais tecnologia, que vai exigir mais atenção da nossa indústria em extra-pesados, finalizou. (R.O.)





