Montadoras apostam no sistema BRT para a Copa
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sábado, 22 de maio de 2010
Renato Oliveira<br>Reportagem Local 
Campinas - Ainda faltam quatro anos para Copa do Mundo no Brasil. No entanto, alguns detalhes - como infraestrutura de deslocamento dentro das cidades que irão receber o maior torneio de futebol do mundo - já começam a ser pensados por executivos de multinacionais especializadas na fabricação de ônibus. Como o transporte coletivo será altamente requisitado, implantar um sistema mais rápido é essencial para não deixar uma impressão negativa nos visitantes de outros países.
Joachim Maier, vice-presidente da Mercedes Ônibus no Brasil, afirma que a montadora ainda não trabalha em cima de uma demanda prevista, mas estima que as 12 cidades (todas as que receberão os jogos) precisarão agilizar o sistema de transporte durantes os jogos da Copa. A intenção é vender o modelo que foi implantado em Curitiba, que serviu de exemplo para outros países como México, África do Sul e Turquia e para o restante do Brasil. É o chamado sistema BRT, que traduzido do inglês significa ''transporte rápido de ônibus''.
O vice-presidente da divisão de ônibus da Mercedes, Ricardo Silva, explica que o BRT visa descongestionar as vias urbanas levando para dentro do transporte coletivo os motoristas dos carros. Mas dois itens básicos são fundamentais para estimular o uso dos ônibus: conforto e rapidez. A empreitada foi apresentada à imprensa no Show Bus 2010, evento que mostras as novidades da indústria para fornecedores e clientes, realizado em Campinas durante essa semana.
Silva afirma que a intenção é procurar os administradores públicos de cidades que receberão os jogos da Copa 2014 o quanto antes. Como o movimento de turistas promete ser intenso, um sistema integrado e com informações facilitaria a vida dos visitantes e ficaria para uso da cidade após o evento.
''O BRT não se resume ao ônibus circulando de um lado para o outro, mas engloba um sistema de informação de transporte, como horários de saída e chegada, percursos e distribuição para os bairros. Ele ajuda no aspecto de organizar o transporte público dentro das cidades'', analisa.
Silva afirma que a principal característica do BRT é a canaleta exclusiva de circulação entre outros veículos na malha viária urbana. Essa faixa é responsável por agilizar o deslocamento sem passar por congestionamentos e outras intempéries do dia a dia no trânsito. Porém, tal sistema de transporte pode ser aplicado de forma mista, com trechos dentro de ruas, junto com os carros.
''A canaleta precisa ser projetada para não conflitar com outros meios de transporte. Se não houver encadeamento, não facilita. Ela dá agilidade para o sistema, fazendo fluir mais rápido, com mais conforto para o passageiro. Ela é o que mais agrega valor ao conceito de BRT'', ressalta.
Mas Silva completa dizendo que tudo precisa ser feito levando em conta as necessidades e possibilidades de cada localidade. ''Isso vai de cidade para cidade. Algumas possuem cruzamentos e elevados de ruas. É importante implantar o BRT sem prejudicar outros sistemas de transporte. Por isso a solução vai de lugar para lugar'', aponta.
O executivo explica que nos grandes centros como São Paulo, que já contam com um sistema parcial de transporte nos moldes do BRT, a necessidade de alternativas para o trânsito é essencial. Ele acredita que um sistema rápido e confortável incentivaria o usuário a deixar o carro em casa ir para o trabalho de ônibus.
''Eu sempre utilizo o exemplo de Curitiba. Era uma cidade grande com uma forte concentração urbana. Por isso era preciso criar um sistema de transporte mais complexo que substituísse o trem. E chegou-se numa concepção fantástica de transporte urbano'', cita Silva.
Mas existe um detalhe importante, que é a concorrência pela verba pública destinada às obras de infraestrutura para a Copa com outros setores, como a implantação de trens e novos aeroportos ligando as cidades sede e até mesmo a opção pelo metrô como transporte dentro das cidades. Ele acredita que esses sistemas ''não concorrem, mas se complementam''.
''Se eu preciso de uma melhor infraestrutura para ir de uma cidade a outra, na hora que o cidadão chega ao aeroporto vai precisar se deslocar. Se tiver um tipo transporte como o BRT e que atenda essa demanda você vai complementar o sistema todo'', defende o vice-presidente.
- O jornalista viajou a Campinas a convite da Mercedes-Benz


