DivulgaçãoOs principais fabricantes de veículos ou componentes marcaram presença na Fenatran 97, que teve perto de 200 expositoresUm dos principais investimentos anunciados na Fenatran/97 pelas montadoras de veículos de cargas para o próximo ano no Brasil é o da Mercedes-Benz: apenas para a fábrica de Juiz de Fora serão destinados US$ 820 milhões. Outros US$ 450 milhões serão investidos nos próximos três anos no País. Segundo o presidente da empresa, Ben van Schaik, a Mercedes está-se reestruturando para enfrentar ‘‘uma nova realidade mundial’’ na qual se inclui o Brasil. ‘‘Hoje é possível planejar o futuro com maior chance de dar certo’’, disse o executivo durante a Feira.
Van Schaik afirmou que a Mercedes agora tem uma linha de caminhões modernos, e que Brasil e Argentina passarão a ser centros de excelência da marca, fortalecendo sua presença na América Latina. A fábrica brasileira vai produzir 20 mil unidades em 98 - principalmente ônibus e chassi de ônibus - enquanto a congênere argentina produzirá 10 mil - a família de leves Sprinter.
DivulgaçãoO modelo GMC 12-170 tem chassi que aceita diferentes aplicações
A Mercedes-Benz admite, através de van Schaik, que 1996 ‘‘não foi brilhante’’. Ele apontou que o panorama mudou em 1997, com o recuo dos juros. ‘‘Ainda faltam alguns ajustes na economia, mas melhorou a confiança no empresariado’’, acrescentou. A empresa cresceu 35% em 1997 com relação a 1996, assim distribuídos: 29% nos caminhões leves; 19% nos médios; 60% nos semipesados; e 39% nos extra-pesados. O modelo urbano 1214 C é o último lançamento da Mercedes. É o chamado ‘‘Papa-Carga’’. A marca detém 35% de participação no mercado dos médios; 62% nos de semi pesados, 30% dos pesados e 31% nos de extra-pesados.
A Mercedes projeta fechar 1997 com 35% do mercado geral de caminhões. A empresa diz que 43% dos caminhões que rodam no Brasil são Mercedes-Benz, e que tem quase 70% de participação de chassi de ônibus urbano no Brasil. Os veículos da família Sprinter já representam 11% do mercado e devem fechar 97 com 9 mil unidades vendidas.
Os modelos Sprinter (furgão com teto elevado, picape, van e chassi com cabina de linha leve de até 6 toneladas), lançados em fevereiro deste ano, já venderam 4.700 unidades. Argentina e Chile são os principais mercados para exportação dos produtos MB montados no Brasil em 1996: 3.200 caminhões e 450 ônibus para a Argentina; 700 caminhões e 2.100 ônibus para o Chile.
A Mercedes-Benz está no Brasil há 41 anos. Dispõe de uma rede de 200 concessionários, mas reduziu o número de ‘‘dillers’’ (superconcessionários) para melhorar a eficiência administrativa e a assistência técnica. Em 1998 vai introduzir o motor eletrônico e os caminhões cara-chata.
DivulgaçãoOs caminhões médios da Iveco serão produzidos na Argentina
O diretor de vendas da MB, Roberto Bógus, fez uma crítica durante a Fenatran: disse que pelo levantamento que tem sobre promessas de investimentos em 96, as marcas de caminhões disseram que fabricariam este ano 177 mil caminhões e ônibus; mas o mercado só absorve 80 mil, contando com a exportação. A Mercedes promete crescer 20% este ano no mundo sobre os US$ 2,1 bilhões faturados em 1996.
De voltaUma grande novidade na área de veículos de transporte no Brasil este ano é a volta da Iveco-Fiat, que está retornando depois de doze anos. Em Sete Lagoas (MG), a empresa vai investir US$ 240 milhões, numa joint venture com a Fiasa (Fiat mineira). Os fornecedores farão investimento de US$ 40 milhões e os produtos estarão no mercado durante 1999 e serão absorvidos 800 funcionários.
A empresa projeta fabricar 20 mil veículos leves por ano em Sete Lagoas, Minas Gerais (Iveco Daily, definido como veículo mundial pela empresa, com suspensão independente e injeção eletrônica, e Fiat Ducato), ficando com a fábrica da Argentina a cota de 10 mil unidades (veículos médios da linha EuroCargo e caminhões pesados das linhas EuroTech e EuroTrakker). A unidade de Córdoba terá investimentos de US$ 63 milhões em reestruturação e contratará mais 750 funcionários.
DivulgaçãoNa Argentina a Iveco produzirá 10 mil veículos médios e pesados
A direção da empresa considera que a imagem da Iveco não ficou ‘‘tão ruim’’ quando ela encerrou suas atividades no Brasil em 1985, e que agora tem boa estratégia para o retorno. ‘‘É uma tarefa difícil, o investimento é muito grande, mas estamos falando sério’’, disse o administrador executivo-chefe da Iveco SpA., Giancarlo Boschetti, apontando que o mercado tem hoje cerca de 4 mil veículos Iveco rodando.
A Iveco nasceu em 1975 em Turim (Itália). Opera também na França, na Alemanha, na Espanha, na Turquia e em outros países. Surgiu da agregação de esforços da Fiat italiana. Ao fechar no Brasil, migrou recursos e investimentos em outras unidades. Na Índia, investou R$ 1 bilhão numa joint venture com o governo, que fabricou e vendeu 50 mil veículos médios e pesados em 1996, e projeta fabricar 80 mil em 1998.
Na China, pelo mesmo sistema, a marca fabricou 12 mil veículos em 96 e estima 40 mil em 98. No segmento, a marca detém 48% do mercado na Itália, segundo números de 96 revelados na Fenatran pelo executivo Boschetti. O motor fabricado na Itália será montado no Brasil.

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