Montadoras anunciam investimentos
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sábado, 20 de setembro de 1997
Egidio Brizola São Paulo 
DivulgaçãoOs principais fabricantes de veículos ou componentes marcaram presença na Fenatran 97, que teve perto de 200 expositoresUm dos principais investimentos anunciados na Fenatran/97 pelas montadoras de veículos de cargas para o próximo ano no Brasil é o da Mercedes-Benz: apenas para a fábrica de Juiz de Fora serão destinados US$ 820 milhões. Outros US$ 450 milhões serão investidos nos próximos três anos no País. Segundo o presidente da empresa, Ben van Schaik, a Mercedes está-se reestruturando para enfrentar uma nova realidade mundial na qual se inclui o Brasil. Hoje é possível planejar o futuro com maior chance de dar certo, disse o executivo durante a Feira.
Van Schaik afirmou que a Mercedes agora tem uma linha de caminhões modernos, e que Brasil e Argentina passarão a ser centros de excelência da marca, fortalecendo sua presença na América Latina. A fábrica brasileira vai produzir 20 mil unidades em 98 - principalmente ônibus e chassi de ônibus - enquanto a congênere argentina produzirá 10 mil - a família de leves Sprinter.
DivulgaçãoO modelo GMC 12-170 tem chassi que aceita diferentes aplicações
A Mercedes-Benz admite, através de van Schaik, que 1996 não foi brilhante. Ele apontou que o panorama mudou em 1997, com o recuo dos juros. Ainda faltam alguns ajustes na economia, mas melhorou a confiança no empresariado, acrescentou. A empresa cresceu 35% em 1997 com relação a 1996, assim distribuídos: 29% nos caminhões leves; 19% nos médios; 60% nos semipesados; e 39% nos extra-pesados. O modelo urbano 1214 C é o último lançamento da Mercedes. É o chamado Papa-Carga. A marca detém 35% de participação no mercado dos médios; 62% nos de semi pesados, 30% dos pesados e 31% nos de extra-pesados.
A Mercedes projeta fechar 1997 com 35% do mercado geral de caminhões. A empresa diz que 43% dos caminhões que rodam no Brasil são Mercedes-Benz, e que tem quase 70% de participação de chassi de ônibus urbano no Brasil. Os veículos da família Sprinter já representam 11% do mercado e devem fechar 97 com 9 mil unidades vendidas.
Os modelos Sprinter (furgão com teto elevado, picape, van e chassi com cabina de linha leve de até 6 toneladas), lançados em fevereiro deste ano, já venderam 4.700 unidades. Argentina e Chile são os principais mercados para exportação dos produtos MB montados no Brasil em 1996: 3.200 caminhões e 450 ônibus para a Argentina; 700 caminhões e 2.100 ônibus para o Chile.
A Mercedes-Benz está no Brasil há 41 anos. Dispõe de uma rede de 200 concessionários, mas reduziu o número de dillers (superconcessionários) para melhorar a eficiência administrativa e a assistência técnica. Em 1998 vai introduzir o motor eletrônico e os caminhões cara-chata.
DivulgaçãoOs caminhões médios da Iveco serão produzidos na Argentina
O diretor de vendas da MB, Roberto Bógus, fez uma crítica durante a Fenatran: disse que pelo levantamento que tem sobre promessas de investimentos em 96, as marcas de caminhões disseram que fabricariam este ano 177 mil caminhões e ônibus; mas o mercado só absorve 80 mil, contando com a exportação. A Mercedes promete crescer 20% este ano no mundo sobre os US$ 2,1 bilhões faturados em 1996.
De voltaUma grande novidade na área de veículos de transporte no Brasil este ano é a volta da Iveco-Fiat, que está retornando depois de doze anos. Em Sete Lagoas (MG), a empresa vai investir US$ 240 milhões, numa joint venture com a Fiasa (Fiat mineira). Os fornecedores farão investimento de US$ 40 milhões e os produtos estarão no mercado durante 1999 e serão absorvidos 800 funcionários.
A empresa projeta fabricar 20 mil veículos leves por ano em Sete Lagoas, Minas Gerais (Iveco Daily, definido como veículo mundial pela empresa, com suspensão independente e injeção eletrônica, e Fiat Ducato), ficando com a fábrica da Argentina a cota de 10 mil unidades (veículos médios da linha EuroCargo e caminhões pesados das linhas EuroTech e EuroTrakker). A unidade de Córdoba terá investimentos de US$ 63 milhões em reestruturação e contratará mais 750 funcionários.
DivulgaçãoNa Argentina a Iveco produzirá 10 mil veículos médios e pesados
A direção da empresa considera que a imagem da Iveco não ficou tão ruim quando ela encerrou suas atividades no Brasil em 1985, e que agora tem boa estratégia para o retorno. É uma tarefa difícil, o investimento é muito grande, mas estamos falando sério, disse o administrador executivo-chefe da Iveco SpA., Giancarlo Boschetti, apontando que o mercado tem hoje cerca de 4 mil veículos Iveco rodando.
A Iveco nasceu em 1975 em Turim (Itália). Opera também na França, na Alemanha, na Espanha, na Turquia e em outros países. Surgiu da agregação de esforços da Fiat italiana. Ao fechar no Brasil, migrou recursos e investimentos em outras unidades. Na Índia, investou R$ 1 bilhão numa joint venture com o governo, que fabricou e vendeu 50 mil veículos médios e pesados em 1996, e projeta fabricar 80 mil em 1998.
Na China, pelo mesmo sistema, a marca fabricou 12 mil veículos em 96 e estima 40 mil em 98. No segmento, a marca detém 48% do mercado na Itália, segundo números de 96 revelados na Fenatran pelo executivo Boschetti. O motor fabricado na Itália será montado no Brasil.


