Uma alavanca instalada no lado direito da coluna de direção comanda o acelerador. Outra, no lado esquerdo, aciona o avanço do distribuidor e auxilia a alimentação do motor. Essas hastes salientes mexeram com o humor brasileiro e provocaram a criação do primeiro apelido de um carro no Brasil: ‘‘Ford Bigode’’.
A alavanca do avanço do distribuidor, que permite auxiliar o funcionamento do motor e otimizar o desempenho do carro, principalmente em subidas, precedeu o sistema automático, que ainda não existia. Acionada para baixo, adianta a distribuição e dá ao motor o ponto ideal de alimentação. Nas descidas, acionada para cima, atrasa a distribuição, prendendo o motor e auxiliando o primitivo sistema de freios, a varão.
O motor é de quatro cilindros em linha, com 2.900 cm3 e potência de 20 hp. O câmbio é semiautomático, com duas marchas para a frente e marcha-a-ré, todas comandadas por três tambores acoplados ao motor e acionadas por cintas de amianto, através de dois pedais, que comandam a embreagem e o câmbio.
Como os automóveis atuais, o Modelo T tem três pedais de comando, mas com funções um pouco diferentes. O pedal do lado esquerdo, além de funcionar como embreagem, controla a primeira marcha. A segunda entra automaticamente tirando-se o pé do pedal. O pedal do centro comanda a marcha-a-ré e o do lado direito aciona o freio e atua diretamente na transmissão. Em casos de emergência, o motorista pode acionar os três pedais simultaneamente, para o carro parar com maior eficiência.
Bem diferente dos sistemas de injeção eletrônica de hoje, a alimentação do Ford Modelo T funciona pelo efeito da gravidade, um recurso simples criado por Henry Ford, que sempre buscava as soluções mais práticas. Nos primeiros modelos o tanque ficava atrás do banco e o combustível era conduzido até o motor por uma mangueira, com fluxo dosado por uma torneira convencional.
O Ford Modelo T não tem bomba d’água. Por isso, o arrefecimento é feito por sistema de sifão, com a circulação da água entre o motor e o radiador através de mangueiras que compõem o sistema.
Na época do lançamento, o Modelo T não tinha sistema elétrico e a iluminação dos faróis e das lanternas era obtida com o uso de carbureto. No estribo do carro havia um reservatório de carbureto, com tubulação que ia até os faróis e lanternas, onde estavam as saídas de gás, para serem acesas com fósforo ou isqueiro. A ignição funcionava com sistema de magneto. Eletroimãs formavam um campo magnético, gerando a energia necessária para o funcionamento do automóvel.
Com a invenção do acumulador (bateria), os carros passaram a receber um sistema elétrico de seis volts. Até 1915, o sistema de partida era acionado por manivela, quando foi introduzida a partida elétrica como opcional. A manivela, porém, foi mantida juntamente com a partida elétrica.

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